sábado, 3 de abril de 2010

"Sarney é um escárnio de bigode tingido"

O blog do jornalista Augusto Nunes, da revista Veja, publicou este interessante artigo do jornalista Celso Arnaldo, que trata de Sarney e as crianças ue morrem desassistidas nos hospitais públicos do Maranhão.

Por CELSO ARNALDO

José Sarney é um escárnio de bigode tingido ─ bigode este que nem um carcinoma recorrente no lábio é capaz de sacrificar. Um lábio maligno, de onde até hoje não saiu nada decente. O “literato” Sarney também é escarnioso, de uma petulância criminosa. Justo na semana em que o Brasil que presta se enche de vergonha com a mortandade das crianças Sem-UTI no Maranhão, o patriarca dessa família serial richer tem o desplante de eleger a criança como tema de sua coluna de Sexta-Feira Santa na Folha.

Mas, é claro, nenhuma palavra, nem como defesa cínica, sobre o infanticídio maranhense. O cronista lírico José Sarney, aproveitando os bons eflúvios do dia, vai falar sobre o menino-Jesus que há em cada um de nós. Em nós, não ─ nele. Porque a criança santa que será o fio condutor de sua coluna de hoje é…José Ribamar Ferreira de Araújo Costa. Sim, o sarneyzinho ─ rebatizado pela corruptela colonialista de Sir Ney.

“Para mim, a palavra felicidade está associada à infância”, começa essa aula de deboche.

Difícil acreditar. Sarney é feliz hoje ─ bilionário, impune, a família comandando os ministérios mais pródigos e mais gastões da República.

Enquanto os bebês de seu estado agonizam em casa ou na porta de pronto-socorros imundos por falta de leitos, um jatinho o traz ao melhor hospital do país, o Sírio-Libanês, onde uma lesão labial recebe o desvelo de uma junta médica composta, entre outros, por uma dermatologista, dois cirurgiões plásticos e com a supervisão cardiológica de ninguém menos do que o Dr. Roberto Kalil Filho, médico do Lula.

Depois da introdução lambuzada, entra em campo o poeta Sarney:
“É quando descobrimos o mundo e a beleza explode na descoberta das cores, da luz, do céu, das nuvens que caminham, das árvores, das águas e das flores. Tudo são formas que nascem a nossos olhos e conhecemos, pela primeira vez, o sentimento de amor que pousa no carinho de nossas mães. Vem o canto dos pássaros, o voo das andorinhas, o descobrir os bichos e tudo é revelação”.

Os bichos que Mayara conheceu antes de morrer no Socorrinho foram as moscas e baratas que circulam por aquele “nosocômio” fatal. E Mayara não pôde descobrir esse mundo de beleza descrito por Sarney ─ o pouco que viu, em seus oito anos, foram miséria e descaso.

“Depois, a infância é o tempo da estreita amizade com Deus, o menino Jesus é nosso companheiro, colega e cúmplice em nossas travessuras.”
Aí José Sarney tem razão: Deus deve ter perdoado as travessuras infantis que ele cometeu ao lado de seu amigo Jesus. Mas as de hoje ─ sacrificando outras crianças ─ certamente não.

“Não chegaram as preocupações e dúvidas que nos darão o saibo da amargura de viver, que fica sempre com uma parte dos nossos anos, embora Aristóteles tenha afirmado que “o homem é o que de mais excelente existe no cosmo.”

Trecho riquíssimo da crônica de Sarney, mereceria um longo estudo. Por falta de espaço, registre-se apenas: essas preocupações e dúvidas que dão o saibo (seja lá o que isso for) da amargura de viver ainda não chegaram a Sarney, riquíssimo e com três aposentadorias acumuladas mensalmente. Ninguém ficou com uma parte desses anos dele. E Aristóteles, quando se referiu ao homem excelente, não deve ter sequer cogitado de Sarney.

E Sarney, homem bom, piedoso e solidário, sempre foi amiguinho do Homem:
“Meu Jesus Cristinho morava na minha cidade de São Bento, onde despertei para a vida. Ele estava na igreja entre as colunas pintadas imitando mármore. Nos tempos da paixão, eu chorava com a revelação de que homens maus o tinham crucificado, pregado na cruz, trespassado por lança e Judas o traíra.”

Que nome teriam os homens maus que crucificam as crianças do Maranhão e as trespassam com a lança da omissão, do descaso e da corrupção?

E, na última estação dessa via crúcis que é ler um texto de Sarney, ele desfere a derradeira chicotada nas Isabellas de Imperatriz:
“Toda Sexta-Feira Santa é para mim plena da restauração da infância. E, como diz são João, ‘Jesus amou os homens até o fim’. Aleluia.”

Sexta-Feira Santa seria um bom momento para Sarney e sua família começarem a restaurar a infância das crianças do Maranhão. Mas isso não vai acontecer, porque os Sarneys não as amam.

No fim desse império mau, somos nós que gritaremos Aleluia.

Deu na seção de cartas da Folha de São Paulo

Meu amigo Marco Antõnio Villa, de São Paulo, enviou uma carta para a seção de cartas do jornal Folha de São Paulo, que foi publicada na edição de hoje. Ela trata da vergonhosa atitude dos craques do Santos (Robinho, Ganso e Neymar) que se recusram a descer do ônibus do clube enquanto os outros jogadores visitavam uma entidade espírita que cuida de mais de 600 crianças e adolescentes com paralisia celebral.

leiam a carta de Villa:

Santos?
"Quando li a notícia de que jogadores do Santos recusaram visitar crianças e adolescentes com paralisia cerebral porque a entidade é espírita, fiquei enojado ("Meninos da Vila se recusam a participar de ação beneficente", Esporte, ontem). Foi uma atitude indigna, de jogadores que não têm caráter nem qualquer sentimento humano. Emolduraram a atitude vil com um fundamentalismo religioso barato. Foi uma vergonha. Espero que revejam a ação abjeta. Sinceramente, o meu encanto com o belo futebol do time acabou. Não é possível aplaudir seres tão medíocres."
MARCO ANTONIO VILLA, professor de história da Universidade Federal de São Carlos (São Paulo, SP)

Resposta de Augusto Nunes ao chilique de um crápula

O chilique do crápula
3 de abril de 2010

Augusto Nunes

“Publique se for homem e jornalista”, começa o comentário enviado às 6:25 desta sexta-feira. Outro miliciano patrulhando a internet a serviço do stalinismo farofeiro, imaginei. Já ia ordenando que caísse fora quando bati os olhos no nome do remetente: Ricardo Murad, secretário da Saúde do Maranhão por ser cunhado da governadora Roseana Sarney. Ele mesmo, o campeão do descaso e da inépcia envolvido na matança de crianças desvalidas.

Em paragens civilizadas, qualquer suspeito com a folha corrida de Ricardo Murad estaria agora em desabalada carreira, ou sentado no meio-fio chorando lágrimas de esguicho, ou homiziado em lugar incerto e não sabido. Mas estamos no Brasil ─ pior ainda, o estafeta da famiglia Sarney está no Maranhão. É compreensível que esteja em liberdade, esbravejando em mau português.

A forma e o conteúdo avisam aos gritos que o texto foi redigido depois de um almoço de matar a sede de presidente. Não há nenhuma acusação substantiva, só berreiro de cortiço. Mas é claro que publico. Não para reafirmar o gênero a que pertenço ─ Ricardo Murad tem informações suficientes para dispensar-se de dúvidas ─ e sim para oferecer ao Brasil que presta a contemplação do chilique de um crápula. Não perca:

Vermes como você, que escreve financiado pelo dinheiro sujo dos políticos a quem serve, deveria se envergonhar do que faz. Mas você é um desavergonhado. Faz isso por ofício. Você é um jornalista que aluga a pena. Escreve de mal ou de bem, para quem lhe paga, de mais ou de menos. Você é um covarde, venal, financiado e sem nenhuma credibilidade. O que lhe move é o dinheiro dos seus patrões. Se você tivesse um pouco de vergonha e senso jornalístico deveria ter me ouvido a respeito das sandices que publicou de forma criminosa a meu respeito. Pelos menos iria ter um trabalho a menos de tê-lo de fazer na Justiça. Não posso lhe pedir para ter ética e vergonha, isso vem do berço.

O doutor em infanticídio cobra vergonha de gente honrada. O noviço nascido e acanalhado no Convento das Mercês se fantasia de carmelita descalça. A cria de Madre Superiora reinventa a santa inquisição a favor dos cafajestes. O colecionador de capitulações lucrativas acusa o vencedor de covarde. O tenente da tropa de censores do Estadão exige respeito à ética. Sem formular qualquer denúncia objetiva, sem ir além do insulto barato, o prontuário ameaça recorrer à Justiça. É assim no Maranhão. Murad acha que é assim no país inteiro.

A certeza da impunidade o induz a acreditar que todas as ações judiciais movidas pela famiglia serão endossadas por algum daciovieira. Por ter escapado de licitações irregulares, crimes ambientais, delinquências variadas e, até agora, da morte das isabellas maranhenses, decidiu que não há juízes no Brasil. Por ouvir apenas as louvações dos áulicos, não ouviu o choro e os gemidos das isabellas maranhenses. Por acreditar que está condenado à impunidade, não admite virar assunto da revista VEJA e entrar na alça de mira da coluna.

O irmão menos esperto de Jorge Murad sobressaltou-se ao ouvir a indignação do Brasil decente. Logo saberá que é só o começo. O fim do sono chegará com a sirene que anuncia a chegada do camburão.

Gente Humilde com ângela Maria e Altemar Dutra

Voltando com a postagens de grandes sucessos musicais, o blog veicula hoje vídeo com a música Gente Humilde nas vozes de Ângela Maria, Altemar Dutra e Gemarinho.

É um show à parte, escutar Altemar e ângela, duas das mais belas vozes do cancioneiro popular brasileiro. Pena que os dois nunca escolheram bem seus repertórios.

O engraçado do vídeo é que não passa de uma grosseira e mal feita montagem. Parecem que pegaram o áudio dos três cantando e juntaram as imagens dos três. Para tentar dar credibilidade, as cabeças dos três fazem movimentos de robõs nos vídeos e tem um braço direito no ombro direito de Gemarinho que ninguém sabe de quem é. Não é de Angela e nem de Altemar.


A gafe de Robinho, Ganso e Neymar

Os garotos do Santos Futebol Clube continuam dando show nos gramados brasileiros, mas fora deles seguem a mesma toada do craque Pelé: só fazem besteira.

Ontem o presidente do Santos levou a molecada para visitar uma entidade espírita em Santos que cuida de mais de 600 crianças que sofrem de paralisia cerebral. A visita era para entregar ovos de páscoa.

Quando o ônibus do clube chegou à entidade, os três principais astros do time; Robinho, Ganso e Neymar se recusaram a descer do ônibus e não participaram da visita de solidariedade às crianças doentes, alegando problemas religiosos.

Na realidade os três tentam mobilizar o elenco santista por atraso no pagamento de bichos e verbas referentes aos direitos de imagens.

Nota zero seu Robinho! Você é o mais experiente do time e deveria dar dando bom exemplo para os meninos.

Ainda mais que Robinho só voltou agora para o Santos depois de não estar jogando nada no Real Madri e mais recentemente na Inglaterra, ao ponto de amargar o banco de reservas do Manchester City. Na realidade, Robinho deveria era agradecer o peixe por realizar um grande sacrifício financeiro para lhe trazer de volta ao Brasil.

No Santos Robinho está recuperando seu futebol e sua imagem, jogando ao lado de jovens craques. Se não fosse o time da Vila Belmiro, Robinho ainda estaria no ostracismo na Europa e correndo grande perigo de não ir à copa do mundo na África do Sul.

Isto tudo sem falar na insensibilidade aguda destes mascarados que desdenharam a dor de centenas de crianças carentes e doentes.

Agora para aliviar um pouco a minha imagem de jornalista amante do futebol junto aos torcedores do Santos, principalmente junto ao meu dileto amigo Marco Antônio Villa, veiculo dois vídeos; um com os gols de Santos 9 X Itauno 1, jogo de campeonato paulista deste ano e o outro com os gols de Santos 4 X 0 Remo 0 pela Copa do Brasil.





O chilique de Ricardo Murad

Uma das minhas primeiras postagens neste blog foi a reprodução de uma fala de Ricardo Murad, feita na época em que ele passava uma chuva na oposição ao grupo Sarney.

Há poucos dias o excepcional jornalista Augusto Nunes, da revista Veja, reproduziu em seu blog dois vídeos com Ricardo Murad: uma falando mal de sua cunhada Roseana Sarney na campanha eleitoral de 2002 e o outro falando mal de Jackson Lago em setembro de 2007.

Nunes arrematou afirmando que Murad se reconciliou com José Sarney na campanha eleitoral de 2002 e até pouco tempo era Secretário Estadual de Saúde.

Segundo Nunes, Ricardo virou secretário para ajudar Roseana a aumentar a mortalidade infantil no Maranhão.

Murad não reagiu bem à postagem de Nunes. Irado e reivoso chamou o jornalista da revista Veja "de verme, desavergonhado, vendável, covarde, venal, financiado, sem credibilidade, sem-vergonha, sem senso jornalístico, sem berço, falta de ética" e disse ainda que processará o jornalista da revista Veja.

Tem razão o meu amigo Felipe Klamt, que afirmou em seu blog, que o rescaldo desta confusão vai sobrar para o governo de Roseana Sarney.

Leia agora o texto de Augusto Nunes em seu blog:

Por Augusto Nunes (Revista Veja)

"Candidato ao governo do Maranhão em 2002, Ricardo Murad atravessou a temporada de caça ao voto fantasiado de inimigo n° 1 da famiglia Sarney em geral e, em particular, da governadora abatida pelo caso Lunus e pelo fim iminente do mandato. Irmão de Jorge Murad e, portanto, cunhado de Roseana Sarney, desertara do clã anos antes, inconformado com o veto do patriarca ao desejo de governar o Estado. Definitivamente, sugere o vídeo em que o parente rancoroso acusa os Sarney de só pensarem em dinheiro e qualifica Roseana de 'uma farsa'.

Nada que uma conversa com o patriarca não pudesse resolver, corrige o segundo vídeo, gravado cinco anos mais tarde. Em 2007, o deputado Ricardo Murad continuava em estado de beligerância, mas o alvo era outro. De volta à seita, o antigo devoto de José Sarney recuperou inteiramente a fé no sumo sacerdote e declarou guerra ao governador Jackson Lago. A reconversão funcionou. O maranhense volúvel ganhou de presente a Secretaria da Saúde, onde hoje ajuda a aumentar a taxa de mortalidade infantil."

Veja agora o que Ricardo Murad falava de sua cunhada Roseana Sarney Murad na campnha eleitoral de 2002, época em que ainda tentava enganar a oposição. Murad rompeu com Sarney, que preteriu seu nome em favor de Roseana como candidata oficial ao governo maranhense nas eleições de 1994:





Acompanhe agora a entrevista de Ricardo Murad à TV Cidade, de Coroatá, de propriedade do próprio Murad, em setembro de 2007:




Agora caro leitor responda você mesmo: quem não é ético, é desavergonhado e não possui credibilidade? Augusto Nunes ou Ricardo Murad?

Postem um comentário e enviem suas conclusões para o blog.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Sarney agora quer intervir no PT/MA

Depois da maioria dos delegados do encontro do PT/MA decidir apoiar a candidatura do deputado federal Flávio Dino (PC do B) a governador do Estado, o grupo Sarney exigiu de Lula que a direção nacional do PT decretasse uma intervenção no PT maranhense.

Como a iniciativa do ex-presidente José Sarney não sensibilizou dirigentes nacionais da legenda com José Genoíno, Cândido Vacareza e até o presidente José Eduardo Dutra, Sarney mudou de tática e tenta agora anular o encontro da semana passada sob a alegação que três delegados que votariam na coligação de Roseana foram impedidos de votar.

Um dos três é a mulher do prefeito de Buriticupu, Antônio Primo, que foi de PDT e hoje apóia a governadora biônica.

Primo sempre foi um político oportunista que atua e apóia quem está no poder. Sua mulher, tão oportunista quanto ele, é o retrato mais preciso da transformação radical pelo que o PT passou.

Partido que nasceu das lutas dos trabalhadores rurais e urbanos, da intelectualidade, de estudantes e sindicalistas, a legenda da estrela vermelha se transformou num partido burguês como qualquer outro e recebeu a filiação de políticos tradicionais, conservadores e picaretas de todos os naipes.

Para se manter no poder a qualquer custo e manter acesa a chama do projeto de ocupar o poder no Brasil por 30 anos, o PT faz qualquer negócio, inclusive entregar a seção regional numa bandeja de ouro para Roseana e José Sarney.

Que o deputado Flávio Dino, a banda decente do PT/MA e o PSB de José Reinaldo fiquem de olhos bem abertos e esbugalhados. Até meados de 2008, ninguém do governo Jackson Lago acreditava na vitória de Roseana no tapetão do TSE! Deu no que deu!

A maioria dos petistas do Maranhão não quer coligar com o PMDB sarneysista e Roseana e Sarney foram clamorosamente derrotados no sábado passado.

Tentaram a intervenção e ela não colou. Agora a oligarquia vai tentar anular o encontro para realizar outro.

Olho vivo, Flávio!