domingo, 13 de dezembro de 2009

Recordar é Viver 6: "Aderson se recusa a depor diante de comissão de exceção"

Na sexta matéria da série "Recordar é Viver" em comemoração ao aniversário de três meses deste blog, publicamos hoje uma postagem originariamente veiculada no dia 03 de dezembro último.

Ela publica uma carta de Aderson Lago, ex-chefe da Casa Civil do governador Jackson Lago, endereçada a comissão especial de investigação de Crimes contra o Erário Estadual, composta por dois delegados da Polícial Civil e utilizada politicamente para intimidar oposicionistas do grupo Sarney.

"O ex-chefe da Casa Civil do governador Jackson Lago e ex-deputado estadual Aderson Lago (PSDB), se recusou anteontem a prestar qualquer tipo de declaração a dois delegados da Polícia Civil que integram uma Comissão de Investigação de Crimes contra o Erário Estadual.

A comissão foi idealizada pela governadora Sarney, o procurador do Estado, Marcos Lobo, o supersecretário de Saúde, Ricardo Murad, e pelo secretário de Segurança Pública, Raimundo Cutrim, para perseguir e tentar punir políticos que fazem oposição ao grupo Sarney no Maranhão.

Leiam na íntegra, o documento assinado e entregue por Lago à comissão:"

Estudantes maranhenses vencem Olimpíada Nacional de História organizada pela Unicamp/SP

Os estudantes do 3.° ano do Ensino Médio do Colégio Santa Tereza, Camila Carvalho Matos, Lucas Moraes Santos e João Vitor Freitas Ferreira foram os grandes vencedores da Olimpíada Nacional de História, promovida pela Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, de São Paulo.

Cerca de quatro mil grupos de estudantes de todos os Estados do Brasil se inscreveram na Olimpíada da Unicamp, que financiou as passagens aéreas e a hospedagem dos dez grupos com melhor desempenho nas etapas classificatórias do certame cultural.

Camila, Lucas e João Vitor cursaram o ensino fundamental, o antigo primário e ginásio, no colégio Colméia de São Luís e se transferiram para o Colégio Santa Tereza há três anos para cursarem o Ensino Médio.

Camila é filha dos jornalistas Nilson Amorim Matos e Aracéa Carvalho; Lucas é filho do dirigente da Cáritas, Ricarte Almeida Santos e da jornalista Cristiane Morais; e João é filho de Ana Cristina Freitas Ferreira.

Os três foram à Campinas acompanhados do professor Gereba, que ministra aulas de História no Colégio Santa Tereza.

Eles não puderam esperar o resultado oficial da Olimpíada de História da Unicamp, que só foi divulgado hoje, domingo, pois viajaram ontem para Brasília, onde fazem hoje a prova do vestibular da UNB.

Camila, Lucas e João Vitor estão de parabéns por terem honrado e dignificado o Maranhão num concurso tão concorrido como este da Unicamp.

Os pais orgulhosos, parentes, amigos e colegas da Colméia e do Santa Tereza já estão preparando uma recepção festiva e alegre no Aeroporto Marechal Cunha Machado de São Luís para quando esses ilustres jovens maranhenses retornaram a nossa terra.

O blog parabeniza os três estudantes que representaram muito bem a Atenas brasileira.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Recordar é Viver 5: " Imparcial joga a isca e deputado confunde caça com cassa"

Na quinta e última matéria republicada hoje da série "Recordar é Viver", o blog posta novamente uma matéria muito engraçada sobre uma gafe cometida pelo deputado Afonso Manoel (ex-PSB e atual PMDB) na tribuna da AL.

O nobre deputado ao ler a manchete do jornal O Imparcial do dia 13 de novembro passado confundiu dois substantivos: cassação com caçada.


Leiam a matéria:

"A Assembléia Legislativa do Maranhão viveu hoje de manhã uma passagem hilariante que certamente já entrou para os anais da casa.

O deputado estadual Afonso Manoel, do PMDB, e que recentemente se desfiliou do PSB, onde foi o deputado estadual mais votado nas eleições de 2006, com 71.372 votos, subiu à tribuna do plenário no pequeno expediente para fazer uma reclamação ao presidente da AL, Marcelo Tavares (PSB).


Afonso disse que em outra oportunidade iria falar dos motivos que o fizeram mudar de legenda partidária e que saiu do PSB com a certeza do dever cumprido.

Agradeceu a cobertura que o Jornal Pequeno fez da sua mudança de partido e estranhou a manchete principal de capa da edição de hoje do jornal “O Imparcial”.

Em seguida Afonso pediu da tribuna que a assessoria de comunicação da AL solicitasse um reparo ao jornal “O Imparcial”, para corrigir a manchete de capa da edição de hoje e informar aos seus leitores de que só a Justiça Eleitoral pode cassar mandatos de deputados estaduais.

Na presidência dos trabalhos, Tavares esboçou um sorriso ao escutar as palavras de Afonso Manoel e escutou seu pronunciamento até o fim, sem interrompê-lo.


Depois que Afonso terminou de falar, Tavares respondeu que a assessoria de comunicação da AL não poderia pedir nenhum tipo de reparação ao jornal “O Imparcial”, pois não houve erro na manchete.

Veja agora a capa da edição de hoje de “O Imparcial” e veja como Afonso Manoel confundiu “caça” com “cassa”.



Certamente Afonso Manoel não leu o jornal “O Imparcial” de hoje e foi alertado do suposto erro do jornal por algum assessor, amigo ou parente.

Sugiro que o deputado Afonso Manoel evite novos constrangimentos para si, pagando um bom curso de Língua Portuguesa para quem o avisou da suposta barrigada de “O Imparcial”.

Quem viu a capa do jornal de hoje e avisou Afonso Manoel, não percebeu que o PSB pode caçar á vontade os mandatos dos deputados estaduais que considera terem sidos infiéis.

A pegadinha de quem produziu a capa de "O Imparcial" foi ter colocado uma manchete secundária, logo abaixo da manchete principal, com o seguinte título: "Justiça de São Paulo cassa mandatos de 13 vereadores".

A pessoa que leu e avisou Afonso Manoel deveria ter seus diplomas, de 1.° e 2.° grau, cassados pelo MEC e literalmente caçado pelos professores de Língua Portuguesa da "Atenas" brasileira."

Recordar é viver 4: " Mirante ganha facil Oscar de efeitos especiais"

Na quarta matéria da série "Recordar é Viver", publicamos hoje a matéria que aborda a ação do Sistema Mirante de Comunicação na criação de factóides sobre a administração de Roseana Sarney.

O sistema Mirante/Mentira é responsável pela criação da imagem de Roseana como uma grande líder política e administradora ágil, moderna, revolucionária e eficiente.

Ela até parece no papel de seu jornal, nas ondas AM e FM de suas rádios e nas lentes de suas câmaras de vídeo e de foto uma modelo mundial exemplar de administradora pública.

É assim que tentaram vender sua imagem em 2002 para o povo brasileiro. Graças á ação determinada da Polícia Federal na empresa Lunus (pertencente ao casal Roseana Sarney & Jorge Murad), o povo brasileiro viu a imagem estarrecedora de quase vinte e sete mil oncinhas (notas de R$ 50,00) empilhadas em uma mesa.

Imagem essa, diga-se de passagem, que destruiu ao vivo na televisão, inclusive na Globo/Mirante, a candidatura de Roseana a presidente da República.

Roseana, na realidade, não passa de um política medíocre e despreparada, geniosa e filhinha do papai, viciada em jogo de baralho e que tem uma casca envernizada de democrata e moderna, tingida pela poderosa mídia de sua oligarquia.

Mas por dentro o conteúdo é absolutamente vazio de idéias e de sentimentos de solidariedade às necessidades históricas fundamentais como comida, trabalho, educação e saúde, que o povo pobre de seu Maranhão rico enfrenta há séculos.

A matéria que republico a seguir foi postada no dia 10 de outubro de 2009.



"Falando sobre comunicação, nós temos que tirar o chapéu para a oligarquia Sarney. Se seus veículos concorressem ao Oscar de efeitos especiais, ganhariam todos os anos a estatueta dourada distribuída pela Academia de Cinema de Hollywood.

Com muita competência, criatividade e ousadia eles usam e abusam de todos seus veículos de comunicação (jornal impresso, rádio, TV e internet) para venderem a idéia de que o Maranhão é o paraíso na terra e que a Governadora Sarney é a mais preparada técnica de administração pública do planeta.

Esta facilidade de fabricar factóides não é qualidade exclusiva do ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, do DEM.

Nos quase oito anos de governo de Roseana Sarney, de 1995 a 2002, o trabalho extremamente profissional de seus marqueteiros e comunicadores liderados por Antônio Carlos Lima passaram para a opinião pública maranhense e brasileira, a imagem de uma grande administradora pública.

Na mídia sarneysista, Roseana era sinônimo de agilidade e modernidade e aparentava realizar uma administração revolucionária, descentralizando o poder e democratizando-o.

Tudo não passou de um engodo muito bem engendrado por Pipoca e Antônio Lavareda. O governo de Roseana era uma espécie de uma grande caixa de papelão vazia e oca por dentro, sem qualquer tipo de conteúdo, mas ricamente adornada por fora com papel salofone prateado e amarrado com fitas brilhantes de várias cores.

Alguns exemplos extraídos de meus arquivos pessoais relembram a verdade sobre a administração de fachada do casal Roseana Sarney & Jorge Murad.

Foi um rosário de fracassos, mentiras e empulhações criadas no primeiro período democrático da Governadora Sarney, entre os anos de 1995 e 2002:

1) 1996 - O presidente FHC "inaugura" o pólo têxtil de rosário acompanhado da governadora sarney e do empresário chinês "171" Chhai Kwo Chheng.

* Cópia da matéria do jornal “O Imparcial” sobre a inauguração do Pólo Têxtil em Rosário em 13 de dezembro de 1996. O presidente Fernando Henrique Cardoso veio ao Maranhão inaugurar uma fábrica de confecção que nunca funcionou de fato;





2) Dezembro de 1996, a Secom dirigida por Antônio Carlos lima, gastou muito dinheiro em propaganda enganosa.

* Foto do outdoor com propaganda enganosa do Pólo Têxtil de Rosário, veiculada em dezembro de 1996 em vários locais do Maranhão. Esta foto é de um outdoor localizado, na estrada de acesso ao Pólo Têxtil, nas proximidades de Rosário. Até hoje a população da região espera a chegada dos 4.500 empregos prometidos no natal de 1996 pela “mamãe Noel Roseana”;





3) Em 1995 e 1996 a governadora Sarney e seu marido, o supersecretário de Planejamento, Jorge Murad, mandaram pagar a estrondosa e absurda quantia de U$ 33 milhões, cerca de R$ 65 milhões, nos valores atuais, a duas empreiteiras pela construção (sic) da estrada fantasma, que deveria ligar a cidade de Paulo Ramos à cidade de Arame, numa extensão de 120 km.

* Foto de um trecho da estrada fantasma Paulo Ramos/Arame tirada em 2001;.



Uma das empresas construtoras beneficiadas foi a Planor, que tinha como sócios laranja os engenheiros Gianfranco Perasso e Flávio Lima (através de sua esposa Marianne Regina T. Lima), ambos colegas de Fernando José Macieira Sarney na turma de 1978 da Escola Politécnica da USP. O buraco retratado na foto abaixo é tão grande que um meninocom 14 anos na época da foto (2001)sai de dentro dele e mostra que só mulas e cavalos podem trafegar em certos trechos da estrada que nunca foi construída:





4) Em 1999 o Condel (Conselho Deliberativo) da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) reunido em São Luís e presidido pela então governadora Sarney, aprova o projeto melagomaníaco de criação da Usimar, uma indústria de auto-peças orçada em R$ 1,38 bilhão.

* Fotos da capa de uma edição da revista Veja, da Editora Abril, que conta a história da Usimar e do terreno no Distrito Industrial de São Luís que sediava a “arapuca” Usimar, projeto que desviou R$ 44 milhões da Sudam, relativos à liberação da primeira parcela do projeto.





O projeto era de autoria do empresário paranaense Teodoro Hubner Filho, ligado a Jorge Murad. O projeto foi aprovado pela Sudam em reunião realizada em São Luís e presidida por Roseana Sarney em 1999. Seu canteiro de obras - atualmente um grande “fantasma” de concreto no Distrito Industrial - é um dos maiores símbolos da corrupção que campeou no Estado sob o domínio do clã Sarney.





Agora no governo biônico de Roseana o mesmo enredo está sendo contado novamente. Mudaram apenas alguns atores principais e coadjuvantes do elenco da oligarquia.

1) Jorge Murad, ator principal nos dois primeiros mandatos de governadora Roseana, saiu de cena e hoje é o diretor da tragicomédia que assola o Maranhão, atuando como diretor geral atrás das cortinas, escondido nos bastidores do poder;

2) Seu amigo do peito, João Abreu, que era apenas líder empresarial e seu sócio e de Roseana na Lunnus, agora comanda o setor administrativo do governo na Casa Civil;

3) O cunhado Ricardo Murad, que no primeiro mandato de Roseana fazia de conta que era da oposição e transitava pelo PSDB, PDT e PSB, está agora no comando político real do governo, desde a Secretaria de Saúde;

4) João Alberto de Sousa foi deputado federal e senador nos dois primeiros mandatos de Roseana e agora é o vice-governador do Estado. Ele está na expectativa de ser governador por nove meses pela segunda vez em sua vida, caso Roseana se descompatibilize do poder em março de 2010 para permitir o lançamento da candidatura de seu irmão Fernando José a deputado estadual;

5) Édison Lobão foi senador durante os dois primeiros mandatos de Roseana e agora é ministro de Minas e Energia do governo Lula. Está em exposição total na mídia nacional devido ao início da exploração das reservas brasileiras de petróleo no pré-sal; e na mídia estadual devido à polêmica em torno do início real das obras de construção da refinaria "Premium" da Petrobrás em Bacabeira;

6) Édison Lobão Filho era apenas um executivo do grupo de comunicação Difusora nos dois primeiro mandatos de Roseana e agora assumiu o mandato de senador, no lugar do pai ministro. Muito provavelmente continuará desempenhando um papel de menor expressão e, no máximo, será candidato novamente a primeiro suplente de senador na chapa do pai, porque aindá é muito verde na política e não possui vôo próprio;

7) Gastão Vieira foi secretário de Educação no primeiro mandato da governadora Sarney e deputado federal no segundo mandato. Agora é o secretário de Planejamento do Maranhão, substituindo Jorge Murad, que foi deliberadamente afastado do governo da esposa, atendendo à orientação dos novos marqueteiros do grupo Sarney. Gastão deve se candidatar a deputado federal novamente;

8) Epitácio Cafeteira foi o primeiro prefeito eleito de São Luís (1966 a 970), governador do Maranhão (1987 a 1990), três vezes deputado federal pelo velho MDB (1975 a 1986) e duas vezes senador, de 1991 a 1998 pela oposição ao grupo Sarney e agora desde 2007, pelo .B e pela segunda vez com o apoio de José Sarney. É um fiel escudeiro do presidente do Senado Federal teve um papel de destaque na defesa do mandato do outrora adversário político no Conselho de Ética do Senado pela segunda vez com o apoio de José Sarney, eleito em 2006.

Um dos estratagemas utilizados por Roseana & Ricardo é dispensar a realização de licitações para a aquisição de variados serviços para o Estado (obras, compra de combustíveis, vigilância do patrimônio público, etc.), através da decretação de estado de emergência.



Foi assim na secretaria de educação que dispensou licitação para gastar mais de R$ 22 milhões na contratação de serviços de vigilância nas escolas estaduais.

Está sendo assim na CAEMA, inclusive com a decretação de estado de emergência para resolver o colapso no fornecimento de água potável em São Luís Dessa forma Ricardo Murad poderá gastar à vontade a bagatela de R$ 255 milhões conveniados com o Ministério das Cidades na recuperação do projeto Italuís. Palavras como transparência, licitação ou concorrência, não existem no vocabulário utilizado pelo governador de fato do Maranhão, Ricardo Murad.

Nunca é demais relembrar que o Ministério Público do Maranhão está processando Murad e auxiliares devido às irregularidades cometidas por ele na época em que foi Gerente Metropolitano de São Luís, nos primeiros 14 meses do governo de José Reinaldo Tavares.

Ricardo é acusado de cometer atos de improbidade administrativa e por formação de quadrilha para desviar recursos públicos.

E é assim que está sendo feito na Secretaria da Saúde até para comprar combustíveis para os veículos do Hospital Regional de Itapecuru.



Neste último caso o interessante é que o fornecedor de combustível tem o mesmo sobrenome do secretário de saúde e seu posto de combustíveis está localizado no bairro do São Francisco, nas proximidades da TV Mirante em São Luís, e o Hospital Regional de Itapecuru fica bem longe, no interior do Estado.




Este blog assume o compromisso público com seus leitores e a opinião pública de pesquisar e investigar o governo biônico de Roseana. Aos poucos publicarei matérias sobre as ações de Roseana, Ricardo, Jorge, João Alberto, Edison Pai e Filho e demais atores e atrizes coadjuvantes da oligarquia.

Gostaria de contar com o apoio dos leitores do blog que tiverem informações. Como sempre fiz, manterei o anonimato da origem das informações sobre irregularidades cometidas neste governo biônico de Roseana.

Quem quiser entrar em contato com o blog é só enviar uma mensagem para o meu e-mail; marnogueira1@ig.com.br."

Recordar é Viver 3: " Ação fascista no lançamento de Honoráveis Bandidos em São Luís"

Na terceira matéria da série "Recordar é Viver", estou republicando a postagem sobre a ação fascista de jovens militantes do PMDB do Maranhão que tentaram empastelar o lançamento do livro "Honoráveis Bandidos - Um retrato do Brasil na era Sarney", ocorrido no dia quatro de novembro na sede do sindicato dos Bancários do Maranhão, em São Luís.

A ação fascista foi impensada e o tiro saiu pela culatra, pois o filme sobre a pancadaria teve mais de 50 mil acessos na internet em todo o Brasil e o livro está na lista dos dez livros de não ficção mais vendidos do país há dez semanas.

Há três finais de semana, o livro chegou a ser o mais vendido do Brasil, primeiro lugar nas listas publicadas pelas revistas semanais Veja e Época e pelo três jornais diários de maior circulação do Brasil; Folha de São Paulo, O Globo e O Estado de São Paulo.

Boicoitado pelas grandes livrarias de São Luís no início, HB agora é vendido nas livrarias Escolha de Sofia, no Monte Castelo; Livraria Poeme-se, no Shopping São Luís, Livraria Athenas, na rua do Sol, no centro; rm mais de quarenta bancas de jornal; e no serviço de teleentrega do 88830274, com 10% de desconto. O preço de capa do livro é de R$ 30,00 (trinta reais).

Originariamente essa matéria foi postada no dia oito de novembro passado.

"Passados quatro dias depois do lançamento do livro “Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney”, realizado no Sindicato dos Bancários do Maranhão, só hoje, no domingo, estou podendo postar minhas observações sobre o evento marcado por um ataque fascista de pseudo-estudantes secundaristas ligados ao PMDB do Maranhão.

Além do cansaço que senti depois de praticamente vinte dias de trabalho sem descanso, uns pequenos problemas de saúde e uma pane no meu computador, estou de volta para efetuar alguns comentários:

1) Quem é democrata e quer debater idéias não comparece ao lançamento de um livro munido de ovos, pedras e uma torta doce para jogar no rosto de outra pessoa;

2) A ação nefasta de um bando de estudantes ditos secundaristas foi organizada diretamente pelo senhor João Alberto de Sousa, Vice-Governador do Maranhão, e financiada pelo senhor Ricardo Murad, secretário estadual de Saúde e cunhado da governadora Sarney;

3) Quando a baderna começou uma senhora de nome Marta, presente no evento, se sentiu mal e resolveu ir embora imediatamente após o início da confusão. Ela se dirigiu à Rua dos Afogados, onde tinha estacionado seu carro e ficou surpresa quando viu cinco (5) viaturas da Polícia Militar do Maranhão estacionadas naquela Rua;

4) Policiais militares de uma viatura que estava estacionada em frente ao Sindicato dos Bancários faziam duas perguntas de forma insistente a todos que saiam do local: sobre o paradeiro de estudantes que teriam se tornado reféns dos organizadores do evento e se ainda existiam autoridades dentro do sindicato;

5) Menos de dez minutos depois do início da baderna, o blogueiro Décio Sá postou em seu blog do Imirante que embora ele estivesse em Fortaleza, ele sabia que alguns estudantes que tinham ido protestar contra Jackson Lago e José Reinaldo Tavares no lançamento do livro “Honoráveis Bandidos” tinham sido “covardemente agredidos” por integrantes do PDT e que Jackson e José Reinaldo tinham fugido “covardemente” do auditório do Sindicato dos Bancários;

6) Como houve uma verdadeira avalanche de comentários negativos à postagem de Sá, o Sistema Mirante – Mentira de Comunicação resolveu brincar de jornalismo bonzinho contra jornalismo marrom. Escalou o blogueiro Marco D’Eça, que tentou esconder o sol com uma peneira muito furada, postando o seguinte comentário:

“Por Marco D’Eça:

O secretário de Esporte e Juventude do Governo do Estado, Roberto Costa, é o exemplo acabado de que “pouca cabeça e muito poder” acaba sempre em bobagem.

Suas ações, quase sempre atabalhoadas – quando não truculentas – acabam criando problemas nos serviços por onde passa. Nesse quesito, ele até supera o antecessor em sua pasta, Weverton Rocha (PDT).

Pior: sem o verniz ideológico que aquele representa.
Aliás, Costa e Rocha são contemporâneos de movimento estudantil. E sempre usaram o poder para manipular estudantes e aliciar pseudo-lideranças estudantis interessadas em “uns trinta dinheiros”.

Assessores de Rocha sempre estiveram próximos de Costa, assim como os aliados de Costa vieram do mesmo balaio de Rocha.

Garoto novo, com responsabilidades acima da sua capacidade de interpretá-las, o desempenho de Roberto Costa na SESPJV é pífio e marcado por trapalhadas.

É um dos calcanhares-de-aquiles do governo recém-empossado.

Exemplo: as idas e vindas de sua insegurança na decisão de mandar os jovens estudantes para a Olimpíada Estudantil em Minas Gerais. Foi preciso a intervenção do Ministério Público para que ele percebesse a besteira que fazia.

Outro exemplo: a tentativa malograda de tentar impor um serviçal no Conselho estadual da Juventude, rechaçada por todos os setores ligados ao órgão.

Agora, Roberto Costa se superou, ao financiar estudantes truculentos em uma ação que teve como único resultado apenas chamar atenção para um evento que seria vazio por si só.

Coisa de idiota.

Os líderes do grupo ao qual está ligado o secretário de Juventude sempre pregaram a tolerância e a convivência democrática com as diferenças.

Alguns fatos, ensinam, passam sozinhos, sem a necessidade de sufocá-los. Como passaria este que a turma de Roberto Costa deu holofote desnecessário.

Coisas que a cabeça tapada de alguns, infelizmente, não consegue assimilar”;

7) Embora tenha descansado um pouco na quinta, sexta e ontem, fui a campo para coletar algumas informações muito interessantes. O agenciador da bagunça foi o ex-líder secundarista de triste memória, Ruy Pires. Ele recebeu a missão de tentar empastelar o lançamento do livro HB, a mando de João Alberto e com financiamento de Ricardo Murad;

Pires contatou Islane Vieira, presidente da União Municipal de Estudantes Secundaristas de São Luís, UMES, que arregimentou outros secundaristas ligados à UMES; e Ana Paula Ribeiro, ex-presidente da Fesma (Federação de Estudantes do Maranhão), que arregimentou alguns jovens moradores do bairro do São Raimundo.

O mais interessante é que Islane e Ana Paula receberam alguns milhares de reais para promover o quebra-quebra no Sindicato dos Bancários e só repassaram trinta ou quarenta reais para cada um dos vinte arruaceiros que promoveram a baderna;

9) O senhor Augusto Santos estava esperando os baderneiros na delegacia de plantão na RFFSA. Ele é funcionário de um dos terminais de integração da Prefeitura de São Luís. Ana Paula Ribeiro também trabalha no Terminal da Integração do São Cristóvão das 00h00 às 06h00;

10) As informações se completam: ação organizada a pedido de João Alberto, financiada por Ricardo Murad; e cinco viaturas estrategicamente estacionadas numa rua próxima à Rua do Sindicato dos Bancários.

Está na cara que foi uma ação planejada dentro do Palácio dos Leões e tem as impressões digitais de João Alberto de Sousa e Ricardo Murad, useiros e viseiros na arte da truculência e de promover e financiar proezas como essa.

O objetivo fascista da ação ficou límpido e transparente: impedir a liberdade de expressão e calar dois jornalistas sexagenários que escreveram uma obra-prima sobre esses Honoráveis Bandidos que saqueiam sem dó o Maranhão;

11) O que foi muito mal feito para tentar calar a boca de homens e mulheres livres serviu também para dar uma dimensão muito maior ao lançamento de um livro sobre corrupção no país e no Maranhão. Até agora, as 22h30, do dia nove de novembro de 2009, um pouco mais de 98 horas após o ataque fascista do PMDB do Maranhão, um vídeo com imagens da baderna já registrou 32.091 acessos no site youtube.com. br.

Os autores do livro HB autografaram cerca de 150 livros no primeiro lançamento do livro, que aconteceu no dia 24 de setembro em São Paulo; aqui em São Luís no dia 04 de novembro, autografaram cerca de 550 livros e anteontem, em Macapá, Palmério Dória autografou 84 livros durante lançamento ocorrido na capital do Amapá.

Na revista Veja que já está nas bancas de jornal do Brasil o livro “Honoráveis Bandidos” aparece pela sexta semana consecutiva na lista dos livros de não ficção mais vendidos do país, publicada pela principal revista da Editora Abril.

No final do mês de setembro, HB surgiu pela primeira vez em 9º lugar; na semana seguinte passou para 6.º lugar e ficou nesta colocação durante três semanas; na semana passada HB já era o 5.º livro mais vendido do Brasil e nesta semana já é o quarto livro mais vendido do Brasil

HB está vendendo mais de 1.500 livros por dia em todo o país. Um verdadeiro sucesso de vendas, apesar do vaticínio do crítico literário (sic) Pergentino Holanda, que previu há 15 dias um fracasso de público para o livro que já se tornou um best-seller.

Obrigado pela propaganda que todos vocês do sistema Mirante - Mentira e aliados fazem de “Honoráveis Bandidos” diariamente nos veículos de comunicação da família Sarney

Vejam agora o vídeo sobre a ação fascista dos jovens do PMDB do Maranhão, a mando dos capos João Alberto de Souza e Ricardo Murad, denominados a partir de hoje como “HB’s” de nível intermediário na hierarquia da OCRIM comandada pessoalmente por Fernando Sarney."



Recordar é Viver 2: "Hospitais de Ricardo Murad não passam de telessalas"

Na segunda postagem republicada na série "Recordar é Viver", nos vamos postar uma matéria originariamente publicada neste blog em 20 de novembro passado.

É uma carta assinada por Luís Marcelo Vieira Rosa, presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado do Maranhão, onde ele afirma que os 64 hospitais que Ricardo Murad prometeu construir não passarão de telessalas, de triste memória.


"Quem não lembra o programa que acabou de enterrar a educação do Maranhão, há alguns anos, no governo do mesmo grupo que administra o Estado do Maranhão?

Programa esse que entregou o ensino médio à fundação Roberto Marinho implantado TELESSALAS onde deveriam ter professores concursados.

Estamos diante de absurdo semelhante, mas agora o alvo é outro, apesar de os personagens e os objetivos serem os mesmos.

A Secretaria de Saúde do Estado do Maranhão, na pessoa de seu Secretário, vem demonstrando que de saúde não entende nada ou é tão mal intencionado que não deixa mais o objetivo de fazer a coisa errada escondido por trás de justificativa alguma.



Charge de Ricardo Murad despachando na Secretaria de Saúde




O que chamo de TELESSALAS da saúde são os tais 64 “hospitais” do Secretário que devem custar 340 milhões de reais e na verdade nem hospitais serão, no máximo poderiam ser classificados como UNIDADES MISTAS.

Não há preocupação sequer de rever a legislação para saber se uma unidade, do tamanho das propostas, pode ou não ser enquadrada como hospital.

Quem conhece saúde sabe que investir em “hospitais” é a maior das demonstrações de ignorância sobre Sistema Único de Saúde que um gestor pode demonstrar.

Na verdade se o senhor Secretário e seus assessores entendessem de saúde, saberiam que os leitos que se encontram desativados no interior do Estado, e só para citar temos Grajaú, Barreirinhas e Cachoeira Grande que possuem três excelentes hospitais desativados, são suficientes para atenderem a demanda das regiões em que se encontram.



Investir em “hospitais” é negar a própria historia de construção do SUS. Ir contra a luta para diminuir as internações em função do incremento da Atenção Básica à Saúde.

Um paciente que chega a qualquer hospital com agravos provocados pelo diabetes, por exemplo, se fosse devidamente acompanhado desde o inicio por uma equipe do PSF provavelmente não chegaria a esse ponto e não precisaria de internação.

O mesmo se pode dizer de hipertensos, tuberculosos, hansenianos e aí por diante.

Quem entende de saúde investe em Atenção Básica e isso já é feito em outros Estados, inclusive do Nordeste, como é o caso do Ceará que foi um dos pioneiros nesse sentido e hoje, depois de mais de vinte anos, colhe os frutos da organização e da boa fé de seus administradores.

Não é difícil prevê o destino dos tais 64 “hospitais”, pois quem irá mantê-los após as inaugurações?

Quem vai bancar os profissionais necessários aos seus funcionamentos?

Quem vai adquirir ambulância para o deslocamento dos pacientes quando os casos não forem resolvidos?

Os laboratórios privados que estão no “esquema” aqui em São Luis irão para o interior?

O Prefeito que tivesse um mínimo de responsabilidade não aceitaria a instalação de um desses “hospitais”.

O destino deles é, irremediavelmente, fechar deixando o prejuízo para o povo maranhense.

Tais quais as TELESSALAS, o efeito, desses 64 ”hospitais”, vai ser catastrófico, com um agravante: enquanto as TELESSALAS fabricaram milhares de analfabetos funcionais, os 64 “hospitais” fabricarão milhares de inválidos e DEFUNTOS.

Luís Marcelo Vieira Rosa

Presidente
Sindicato dos Farmacêuticos do Estado do Maranhão"

Recordar é Viver 1: "Ricardo Murad não entende nada de saúde pública"

Na aproximação do terceiro mês de aniversário deste blog, resolvi republicar neste final de samana as dez postagens mais interessantes e polêmicas que publiquei desde o dia 17 de setembro deste ano.

Essa série chama-se : "Recordar é Viver"

Publicarei cinco postagens hoje, dia 12 de dezembro, e publicarei as outras cinco matérias amanhã, dia 13 de dezembro.

A primeira postagem é uma brilhante entrevista concedida pelo padre belga jean Marie Van Damme no dia 11 de novembro de 2009.

Técnico em educação popular da ASP (Associação de Saúde da Periferia de São Luís) e membro do Conselho de Saúde do Estado do Maranhão, Jean Marie afirmou categoricamente que o secretário estadual de saúde, Ricardo Murad, não entende absolutamente nada de saúde pública e só está no cargo para comandar pessoalmemnte ações que beneficiem empresas privadas do ramo da saúde e empreiteiras para construir hospitais.

"O padre Jean Marie Van Damme é belga de nascimento, tem 62 anos e nasceu em 1947 na Antuérpia. Ele adotou o Maranhão como terra natal em 1975, quando chegou a São Luís, com 28 anos.

Morando no Anjo da Guarda desde que chegou aqui, Jean Marie sempre foi um grande incentivador da participação popular na resolução dos problemas da vida cotidiana que afligem os setores mais carentes da nossa população.

Graduado e bacharel em Filosofia, especialista em Educação de Jovens e Adultos e Mestre em Ciências Éticas e Religiosas, Jean Marie foi pároco nas igrejas do Anjo da Guarda, em São Luís e em São Benedito do Rio Preto.

Educador popular da Associação de Saúde da Periferia do Maranhão -ASP - é conselheiro e ex-presidente do CEDCA (Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente) pela Pastoral da Criança.

Ele é conselheiro-suplente do Conselho Estadual de Saúde -(CES/MA) representando a Comissão Pastoral da Criança. É assessor das Comunidades Ecleseriais de Base e das Pastorais Sociais da CNBB NR5 (Maranhão).

Tive a honra de conhecer Jean Marie no final dos anos 80 e trabalhei com ele na ASP de agosto de 1988 a março de 1990, quando cheguei em São Luís. O pouco que sei sobre a saúde pública e o funcionamento do SUS (Sistema Único de Saúde) no Maranhão, aprendi com ele.

Magro e franzino, Jean Marie se sobressai pela força de seu vasto conhecimento da realidade maranhense e por seu compromisso com a promoção da vida humana, principalmente, entre os mais fracos e oprimidos da nossa desigual e injusta sociedade.

Intelectual preparado e generoso na democratização de seus conhecimentos, Jean Marie tem uma forte ligação com os movimentos populares em defesa da saúde pública na nossa terra.

Mais do que qualquer outra pessoa, Jean Marie conhece a fundo a saúde do Maranhão e desmistificou o papel desempenhado pelo Secretário de Saude, Ricardo Murad, no atual momento político que vivemos em entrevista exclusiva a este blog.



1- Blog Marcos Nogueira (BMN): Como anda a saúde pública no Maranhão hoje?

Resposta Jean Marie Van Damme (JMVD): Para poder responder esta pergunta com maior clareza, precisamos fazer alguns esclarecimentos. Destaco dois que considero fundamentais. 1° Quando falamos em saúde, não podemos nos restringir a doença. Saúde pública envolve – como nos ensina a Constituição Federal – três aspectos: a promoção, a proteção e a recuperação da saúde na sua integralidade; e

2° O cuidado à saúde envolve um conjunto de fatores de que fazem parte a educação, a alimentação, a habitação (moradia), transporte, renda, lazer, etc. Assim nos descreve a lei 8080/90, conhecida com a Lei Orgânica da Saúde, junto com a de n. 8142/90.

Se considerarmos o conjunto dos indicadores de vida saudável no Maranhão, não podemos nos alegrar muito. A educação continua com baixo padrão de qualidade, as moradias continuam precárias com deficiente provisão de água potável e quase nenhuma ligação à rede de esgoto. É bom lembrar para se ter saúde, dispor de água de boa qualidade é básico. Por isso é chamado de saneamento básico, papel e obrigação do Estado.

A alimentação do maranhense é deficitária e pobre. O Conselho Estadual de Segurança Alimentar está aí para dar as informações mais atualizadas sobre este item. Qualidade e segurança no transporte público deixam muita a desejar. Ainda há muito campo para o Estado e as Políticas Públicas (não apenas de governo mas de Estado) avançarem e melhorarem.

Quanto ao atendimento para a recuperação da saúde perdida, a vida do povo continua uma verdadeira via sacra. A falta de número suficiente de profissionais – especialmente médicos – de equipamentos, de material de consumo e remédios, leva a um precário atendimento à população que continua enfrentando filas, longas demoras para fazer exames e receber os resultados, adquirir os medicamentos necessários, etc.

Os índices que constam do Pacto pela Saúde falam por si: o Maranhão enfrenta desafios para baixar mortalidade infantil em todos os seus estágios, a mortalidade materna, o combate ao câncer etc. Mesmo que alguns resultados já foram alcançados nos últimos anos, a mortalidade materna e infantil apresentam números alarmantes para uma sociedade em pleno século 21.

Embora as campanhas de vacinação – estratégia de saúde preventiva extremamente importante – na maioria dos municípios maranhenses alcancem os índices objetivados, ainda há grupos da populações onde esta política não chega. Os programas básicos – Agentes Comunitários de Saúde e Saúde da Família – demonstram não estar surtindo o efeito desejado, principalmente pelo funcionamento apenas no papel das equipes financiadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Outro aspecto da saúde pública merecedora da nossa atenção, é a descentralização do atendimento básico para os gestores municipais. Ainda há muitos lugares no Estado onde não há médico disponível em tempo integral, 24 horas por dia e 7 dias por semana.

Há municipios que recebem “visita” de um médico durante dois dias por semana. Nos outros dias, as pessoas não podem adoecer ou está em pleno funcionamento a “ambulanciaterapia”. Superlotação nos postos de atendimento na capital e outras cidades-pòlo resultam no não atendimento na base, nos postos municipais, onde deveria acontecer uma primeira triagem e atenção resolutiva para a grande maioria dos casos que ali se apresentarem. Hoje, até com gripe ou com febre, as pessoas do interior são pressionadas a buscar serviços em cidades maiores através de casas de parentes ou até de hospedagens fornecidas pela prefeitura.

2- BMN: O que mudou na administração da saúde pública no Maranhão com a posse da governadora Roseana Sarney?

JMVD: Sem proselitismo, respondo que toda uma estrategia elaborada no governo de dr. Jackson, ficou destruída. Roseana, nos mandatos que precederam seu atual governo [de 1995-2002], nunca se interessou no desenvolvimento de uma rede de serviços públicos para a saúde – e, diga-se de passagem, nem da educação. Sua visão liberal a fez apostar na terceirização/privatização dos serviços de saúde. Foi essa determinação política que levou algumas entidades a entrar no Ministério Público, ganhando inclusive a condenação da terceirização almejada.

O Estado demorou muito para retomar as unidades entregues à Pró-Saúde. Mas no governo de dr. Jackson, a ordem era de elaborar uma política pública, com rede de unidades de referência e descentralizada. Desde sua gestão em São Luís como prefeito e mesmo antes, como secretário de saúde do Estado no governo de Epitácio Cafeteira (1987 a 1988), Jackson Lago entendia perfeitamente o rumo que tinha que tomar a saúde pública.

Um amplo processo de discussão com os município antecedeu o seu governo – já na gestão de J. Reinaldo – chegando a elaboração do Plano Estadual de Saúde, ainda em vigor, a revisão e aperfeiçoamento da PPI - Programação Pactuada e Integrada - e da formulação do Plano Diretor de Investimento. Tudo discutido amplamente com secretários municipais com envolvimento de conselhos municipais de saúde e do estadual.

Toda esta estratégia parece estar sendo abandonada. É claro que em dois anos, pouca coisa de que se tinha planejado conseguiu ser realizada. Parece que hoje temos que partir de novo de zero. E o marco da solução agora é a construção de 65 hospitais. O SUS, conscientemente, abandonou a visão hospitalocêntrica que dominou a política de saúde nas décadas anteriores ao SUS – proposto na VIII Conferência Nacional de Saúde em 1986.

Os portadores de doenças tropicais, tuberculose e infectados pelo vírus HIV, desde 1995 aguardam a implantação de um hospital especializado (croquis e desenhos existem há anos). O investimento na construção de “hospitais” que nada mais serão do que unidades mistas parece mais como obra de fachada e eleitoral do que realmente interesse na construção de uma política estadual descentralizada com rede hierarquizada de serviços e tendo o atendimento básico localizado como porta de entrada no sistema.





3- BMN: Como o senhor viu a mudança de critérios na distribuição de verbas públicas no setor de saúde pública para os municípios maranhenses?

JMVD: Temos que ter clareza sobre que tipo de verba estamos falando. Cada município recebe diretamente na sua conta bancária o recurso do sistema de saúde destinado aos cuidados básicos. Incluem-se aí: farmácia básica, agentes comunitários de saúde, vigilância epidemiológica e sanitária (onde estes serviços foram implantados pelo gestor), atendimento ambulatorial básico, etc.

São parâmetros nacionais, que deveriam aumentar, certamente, mas que deveriam ser complementados com recursos dos próprios município que devem investir também na saúde de sua população cerca de 15% de seus orçamentos, como determina a Emenda Constitucional 29/2000.

Nem todos os municípios dispõem de serviços especializados – de média ou alta complexidade. E economicamente não é justificado instalar estes serviços em todos os municípios. Transplante de coração, mesmo que seja para um morador de Balágua, deverá ser feita em São Luís. Portanto, este recurso vai para o município de São Luís. A distribuição dos recursos do SUS destinados à atenção de média e alta complexidade deve obedecer a critérios de disponibilidade de serviços, de capacidade de atendimento e não a critérios meramente políticos.

Esta crítica, o Conselho Estadual de Saúde (CES) está cansado de fazer. A Comissão Intergestores Bipartite sempre foi criticada pelo CES por causa da sua pouca transparência na distribuição dos recursos.

Infelizmente, o rateio continua!

Não é nesta gestão que estamos vendo o uso tecnicamente responsável e com prestação de contas correspondente destes recursos que são federais em parte e estaduais. O Conselho está aguardando informações mais precisas e transparentes sobre a destinação de recursos que pertencem à população para atender às necessidades de quem quer que seja, de que município que seja.

E que se priorize aqueles municípios que são os mais carentes, os mais necessitados.

4- BMN: Como estão as relações do movimento popular de saúde com o novo secretário de saúde?

JMVD: Posso dar três exemplos para ilustrar a relação do novo secretário com o movimento.

Porque o movimento sempre tratou os gestores do mesmo jeito: exige de seu empregado (sim, secretário é empregado do povo! É pago por ele e deve prestar conta aos usuários do sistema) que atenda às suas reivindicações, preste conta, esclareça, escute, argumente com respeito ao movimento porque alguma reivindicação (ainda) não pode ser atendida, etc.

O atual secretário é um trator.



É conhecido popularmente como o homem das obras iniciadas porém inacabadas. Não escuta, não argumenta, determina.

Assim aconteceu na reunião co CONSEA onde foi convidado a esclarecer os desvios de recursos para o programa do leite. Houve aparentemente desvios de recursos pelo lacticínio São José que o CONSEA detectou. O secretario não deu resposta convincente e continuou o pagamento a maior para o Laticínio São José do que efetivamente tinha sido fornecido.

Outro episódio envolve o Fórum das entidades que trabalham com portadores de HIV-AIDS. Várias audiências públicas foram organizadas para as quais se convidou o secretário, que nem mensagem mandou pedindo alteração de data ou justificando sua ausência.

Finalmente o vimos uma vez presidindo o CES. Depois, nunca mais. Talvez ele não tenha gostado das intervenções pertinentes de alguns conselheiros e por isso teve medo de enfrentar o colegiado em outros assuntos tão ou mais quentes e espinhosos do que na única reunião que compareceu.

Sabemos que o atual Secretário de Estado da Saúde de saúde não entende nada, menos ainda do SUS, menos ainda de administrar a coisa pública (que ele trata como se fosse sua propriedade privada – atitude típica do clã Sarney no poder).




Mas ele ocupa uma posição estratégica na administração do Estado e investe muito na propaganda midiática do governo, que funciona todo o tempo para tentar convencer a cabeça dos leitores, telespectadores e ouvintes menos avisados, de que a política em implantação no Maranhão é correta.

5- BMN: Como o senhor avalia o plano "Viva Saúde"! que prevê a construção de 65 novos hospitais com 50 e 20 leitos cada no Maranhão?

JMVD: Já falei um pouco sobre ele. Quero acrescentar os seguintes elementos.
É um programa que envolve em 2010 o nada desprezível recurso de 161 milhões de reais conforme a Lei Orçamentária apresentada na Assembléia e disponível para quem quiser na Internet (é obrigatório o Governo publicizar na sua página virtual).

Construir hospital não é o difícil. Tem muitos hospitais em municípios do interior do Estado, fechados ou funcionando precariamente. Perguntamos só três coisas: quem vai acompanhar a construção destes “hospitais”? Já falamos que a maioria não caem na categoria de hospital, mas sim de unidade mista com alguns leitos de internação.

Todo mundo sabe que é através do pagamento de obras é que muito dinheiro passado as empreiteiras volta para o bolso de campanhas.

Em 2010 tem campanha!

Então, quem vai fiscalizar o uso adequado, as licitações, a veracidade dos preços aplicados, a qualidade dos serviços executados e assim por diante?

Acho isto uma questão fundamental.

Segunda: depois de construídos, quem irá garantir o funcionamento e a manutenção destes 65 hospitais?

O governo de Estado vai lavar suas mãos e dizer: construí,agora, prefeito, passo o pepino para suas mãos. Faça bom uso. E o sistema, com 65 novas unidades, continuará não funcionando e deixando a população abandonada como sempre. Mas uma coisa aconteceu: alguém ganhou o dinheiro do povo.

Terceira questão: o que fazer com as unidades que são realmente da responsabilidade do Estado ou aqueles, mesmo municipais, que já existem porém degradaram ou funcionam mal?

O que fazer com a oncologia, a décadas necessitando de um hospital público?

O que fazer com portadores de HIV, de tuberculose, de doenças tropicais? Obviamente, a Getúlio Vargas é uma vergonha estadual. Dá uma tristeza quando se visita aquela prisão de doentes. Dá um nó na garganta.

Em outros Estados, para resolver a questão da centralização do atendimento nas capitais, formaram-se consórcios de município que em conjunto cuidam de uma unidade hospitalar, mais próxima e acessível aos moradores de vários municípios.

Parece-nos contraproducente equipar simplesmente todos os municípios com uma unidade sem ter um planejamento em rede. Até serviços diferenciados podem ser organizados em municípios vizinhos, que cuidem então da saúde da população de toda a região.

Ter um Plano Estadual de Saúde neste sentido é de fundamental importância. Por que, por exemplo, a unidade nova de Presidente Dutra não está plenamente funcionando? Poderia ser para a região central do Maranhão uma referência importantíssima para diversos serviços de média e alta complexidade.

Finalmente, já argumentamos com o Secretário Ricardo Murad que ele está incorrendo contra a lei do SUS ao não ter levado sua proposta de construção de 65 novos hospitais para discussão e apreciação do Conselho Estadual de Saúde.

Novamente cabe a pergunta do por que ele age assim?

A participação da sociedade é um preceito constitucional que o secretário está negando. Ele diz que não precisa. Por acaso, é ele o intérprete autorizado da lei? Por que o Conselho não pode exercer sua atribuição de definição e controle da política estadual de saúde? O CES não aprovou a construção de 65 hospitais e não foi convidado para acompanhar o processo de licitação das obras. Apenas foi informado que o processo estava em curso.

6 - Que avaliação o senhor faz da anulação do convênio feito por Jackson Lago e a Prefeitura de Pinheiro que previa a construção de um hospital de urgência e emergência naquela cidade para atender a população da Baixada Maranhense?

JMVD: Já falei que a administração de Jackson tinha todo um plano estratégico para o Maranhão, discutido com os municípios em encontros regionais, muitas vezes resultados de consultas populares através dos Fóruns regionais como do Alto Turi, do Baixo Parnaíba, do Gerais de Balsas. E para o CES, independentemente da coloração partidária, todos os municípios deveriam ser tratados equitativamente. O Plano do governador Jackson Lago foi apresentado e apreciado pelo CES.

Os critérios da atual gestão não são os mesmos. Não são técnicos, mas políticos e midiáticos. Não é por acaso que o auditório da SES está cheio de banners com propaganda sobre os 65 hospitais e que na TV são gastos muitos recursos para o propagar o “trabalho” da nova equipe estadual.

Por esse motivo, devemos lamentar e nos opor a este contra-senso de tirar de um município central como é Pinheiro a possibilidade de implantar serviços que os 43 municípios da região tanto precisam.

Uma unidade de urgência e emergência para a Baixada Oriental deveria fazer parte de um plano de descentralização, do qual o hospital em Presidente Dutra é outro componente.

7- BMN: Como o senhor viu a decisão da Secretaria Estadual de Saúde que terceirizou a realização de exames laboratoriais nos hospitais públicos estaduais, abrindo espaço para a contratação de serviços laboratoriais de empresas privadas como o Inlab, Cedro e Gemma?

JMVD: É o maior contra-senso que podia se imaginar. É contra a filosofia do SUS, é contra os servidores públicos da área da saúde, é uma transferência de recursos públicos para uma rede de laboratórios privados. O CES ainda não teve ocasião de discutir o assunto. Foi solicitado já duas vezes para a pauta de reunião, mas outros assuntos prevaleceram. Uma coisa é certa: o CES não aprovou mais essa violação da lei de saúde e iremos entrar com processo contra o Estado se esta onda irresponsável de privatização e privilegiamento de empresas amigas da família da governadora e do próprio secretário de saúde continuar sendo praticado na secretaria. Pelas informações que tenho, nem licitação teve!

8- BMN: Como o senhor viu a contratação de empresas de outros Estados, como a Cruz Vermelha do Brasil, com sede em Curitiba, para substituir o Estado na administração de hospitais públicos como o Hospital do Ipem, Maternidade Marli Sarney, Hospital Geral, Hospital da Criança, etc?

JMVD: Em 2000, a administração de unidades hospitalares do Estado foi entregue para empresas privadas e foi objeto de contestação do CES. Entramos, na ocasião, com processo no Ministério Público que aceitou a queixa e o resultado final foi a obrigação do Estado de retomar a administração dos hospitais públicos, o que durou algum tempo.

O que acontece hoje mostra claramente que a cabeça de Roseana não mudou.





A forma de governar de sete anos atrás está sendo repetida hoje. E conhecemos os resultados para a população:

1- estradas que não foram feitas;
2- obras não finalizadas (Ricardo Murad na gerência em São Luís foi exemplar);
3- educação entregue às traças;
4- serviços de saúde privatizados com acesso dificultado à população de baixa renda, privilegiamento de empresas, etc.

E exatamente isso é o que está se repetindo na saúde. Não podemos ter a ilusão de que esta governadora governa para o povo!

Todo o objetivo dela é repassar dinheiro público para empresas privadas.

Assim, como governadora, não tem mais nada para se preocupar. Se o serviço é bem ou mal feito ou não executado, não será mais da responsabilidade dela. Transferiu para a empresa particular.

No obstante, é contra esse tipo de gestor público que a Constituição Federal determinou: a iniciativa privada é COMPLEMENTAR aos serviços públicos, ela não pode substituí-los. Então, iremos contestar esta política na Justiça.

9- BMN: Como o senhor observou a decisão de Ricardo Murad de suspender a distribuição de remédios de maior valor aquisitivo para pacientes com doenças mais graves?

JMVD: O que nos foi colocado no Conselho – levei pessoalmente o assunto para a reunião – é de que houve atraso no fornecimento dos remédios. No mínimo, o que podemos dizer é que houve um planejamento inadequado de aquisição de remédios vitais. Sei que o processo de licitação – e muitas vezes a contestação por empresas não contempladas - é extremamente lento e inoperante. O tipo pregão veio para dar maior agilidade. Vou novamente questionar na próxima reunião.

Mas o Estado é responsável pela distribuição destes remédios e no último caso, a população deve entrar na Justiça para garantir seus direitos. O Estado tem dinheiro para tudo, só não para o povo.

Saúde é dever do Estado e direito da população.

Esta determinação constitucional deve ser obedecida a qualquer custo, mesmo que os secretários e a governadora ganhem menos por causa disso!

Que cortem nas despesas desnecessárias. Vi uma vez o Estado fazer uma licitação de compra de flores pelo valor de mais de R$ 60.000,00. Isso foi numa gestão anterior a de Roseana. Que cortem esses supérfluos e comprem remédios.

10- BMN: Como estão as relações do Secretário de Saúde do Estado com os integrantes do Conselho Estadual de Saúde?

JMVD: Já comentei no decorrer da entrevista. Apareceu uma vez e depois desapareceu. Trata o Conselho com desprezo, como é de costume nesse governo tratar as instâncias de controle e participação da sociedade.

Este grupo inda não saiu do trato patrimonialista da coisa pública. Ainda não entenderam que estão a serviço da população e que a ela devem prestar conta. Aliás, será a população maranhense que colocará aos poucos estes políticos autocráticos – não-democráticos – no seu devido lugar.