sábado, 13 de fevereiro de 2010

Marco Aurélio nota dez e Lula nota zero

Muito corajosa a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, de não conceder habeas-corpus ao governado de Brasília, José Roberto Arruda.

O fato de Arruda ter que passar o carnaval preso na Polícia Federal de Brasília fortalece a incipiente democracia brasileira e nos dá um pouco mais de esperança de que a verdadeira justiça possa existir um dia no país.

Não sei o que precisava mais acontecer ou ser divulgado para que o corrupto governador de Brasília seja destituído formalmente do cargo juntamente com seu vice Paulo Otávio, que também foi beneficiado pelo esquema de corrupção.

Como quem denunciou e gravou tudo é pessoa de confiança de Joaquin Roriz, só espero que a população da capital brasileira tome juízo e eleja um governador em outubro de 2010 que seja ético e lute contra a corrupção.

De longe posso até estar enganado, mas acho que a bola da vez em Brasília será o senador Cristovãn Buarque, ex-governador do DF.

Agora só está faltando a Justiça decretar intervenção federal em Brasília e destituir Paulo Otávio.

Lamentável a posição do presidente Lula que ao invés de apoiar a faxina política em Brasília, ficou mais preocupado com a repercussão negativa que a prisão de Arruda teria causado.

Quem te viu, quem te vê, Luíz Inácio!

Oposições demonstram maturidade

É com muita alegria e esperança que tenho acompanhado o avanço das conversações entre os principais nomes da oposição maranhense.

O artigo publicado pelo ex-governador José Reinaldo recentemente onde ele afirmou que as oposições maranhenses se acertarão para as eleições de 2010 deixou a oligarquia em polvorosa.

O fato dos deputados federais Roberto Rocha (PSDB) e Flávio Dino (PC do B) estarem conversando é muito salutar, pois colocaram o Maranhão como tema principal da agenda política de 2010.

Rocha continua apoiando a candidatura de José Serra ou Aécio Neves e Dino é um soldado da campanha de Dilma Roussef. Ambos vão montar palanques no Maranhão para seus candidatos a governador, mas existem amplas possibilidades para um acordo inédito e histórico em relação ás eleições para governador.

É um claro sinal de maturidade política das oposições. A questão de uma candidatura única das oposições, como defende o ex-governador Jackson Lago, ou duas ou mais candidaturas, como defendem José Reinaldo e Flávio Dino, é de menor importância, embora eu ache que a tendência é se lançar mais de uma candidatura.

Jackson, Zé Reinaldo, Flávio Dino, Roberto Rocha, Domingos Dutra, Edson Vidigal, Julião Amin, Sebastião Madeira e Marcelo Tavares devem se acertar em breve em prol do futuro do Maranhão.

Flávio Dino está tentando atrair o PT /MA para uma coligação formal em torno de sua candidatura. A aliança PC do B/PT é fundamental para impulsionar a candidatura comunista. A maioria das lideranças do PT defende esta tese e sabem que se coligarem com Roseana vão jogar 30 anos de lutas na lata do lixo.

Para atrair os petistas, o grupo Sarney oferece uma vaga na chapa majoritária, de preferência a candidatura ao Senado. Sem nomes de peso para a disputa, o PT faria o papel de figurante de 5.ª categoria na disputa.

O deputado Flávio Dino já deixou claro que se o PT fechar com ele, o suplente de deputado federal Washington Luiz de Oliveira teria chances reais de se eleger deputado federal sem precisar dos favores de José Sarney para assumir uma cadeira na Câmara, como aconteceu em 2003 e está acontecendo agora.

Todas essa conversações que acontecem agora entre membros da oposição apontam uma tendência evidente de todos se unirem na mesma candidatura no 2.° turno das eleições.

Não tenho bola de cristal, mas Jackson Lago ou Flávio Dino no 2.° turno derrotará Roseana Sarney.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Assalto à mão armada

O prazo para descompatibilização de parlamentares que ocupam cargos no Poder Executivo está chegando e as gavetas dos deputados secretários começam a ser arrumadas.

No Maranhão voltam ao parlamento os secretários de Saúde, Ricardo Murad, o de Educação, César Pires, o de Segurança, Raimundo Cutrim, o de Planejamento, Gastão Vieira, e o de Obras, Max Barros.

O secretário de Administração, Luciano Moreira, também vai se descompatibilizar para tentar uma cadeira na Câmara Federal. Para viabilizar seu intento, Moreira conta com o apoio do senador Edison Lobão, já que sua esposa, a deputada federal Nice Lobão, vai se aposentar e não disputará as eleições de 2010.

O que marca esta volta dos secretários estaduais maranhenses ao parlamento é a concorrência desleal com os colegas da bancada sarneysista que permaneceram na AL.

Todos os secretários deputados souberam utilizar suas pastas muito bem, as tornando num movimentado balcão de negócios políticos. Sem exceções, as secretarias se transformaram em verdadeiros comitês eleitorais.

Enquanto isso deputados históricos do grupo Sarney, como Joaquin Haickel, Tatá Milhomem, Chico Gomes e Manoel Ribeiro ficaram ao léu, sem contar com a rede de serviços do Estado para fazerem política. Isso sem contar com a invasão de tradicionais redutos eleitorais, praticamente assaltados pelos deputados secretários.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Volta ao batente

Depois de quase dois meses sem postar no blog, estou de volta, ainda em marcha lenta, para escrever sobre a política maranhense.

No tempo que estive parado para recarregar as baterias, aconteceram dois fatos que merecem destaque.

O primeiro é a constatação óbvia que o governo do baralho da governadora biônica Roseana Sarney, que completa dez meses no próximo dia 17 de fevereiro, conseguiu a incrível proeza de ser pior, muito pior, do que os sete anos e três meses do que seus mandatos anteriores, conquistados nas urnas em 1994 e 1998.

O segundo fato é que caiu por terra a vontade de Roseana de ganhar as eleições de 2010 por WO ou falta de concorrente. Perdeu na Justiça Eleitoral o processo que solicitava a perda dos direitos políticos dos ex-governadores Jackson Lago e José Reinaldo Tavares.

A oligarquia Sarney mobilizou todas suas forças para impedir a qualquer custo a candidatura do deputado federal Flávio Dino a governador do Maranhão. FD conseguiu não só o apoio oficial de seu partido, o PC do B, como já mantém conversações adiantadas com os vários grupos que formam o PT maranhense com o objetivo de montar uma coligação de esquerda composta por PC do B, PT e PSB.

Ainda relativo ao segundo fato, a polícia política de Roseana quer porque quer impedir as candidaturas a deputado dos oposicionistas Aderson Lago (PSDB), Othelino Neto (PPS) e Weverton Rocha (PDT). Para tal, move mundos e fundos para tentar desmoralizá-los perante a opinião pública maranhense.

Roseana queria ser candidata a governadora sem Jackson, Zé Reinaldo e Flávio Dino na disputa por cargos majoritários.

Pela tendência da conjuntura política maranhense nós teremos pelo menos três candidatos a governador com chances reais de vitória: Roseana, Jackson e Flávio Dino.

Uma coisa eu tenho certeza. Se os três forem candidatos (o PDT se coligar com o PSDB e o PPS; o PC do B se coligar com o PT e o PSB: e o PMDB se compor com os Democratas. PV, PTB, PP e outras siglas menores) nós teremos a realização do 2.° turno.

E no 2.° turno Roseana perderá para Jackson ou para Flávio Dino, pois os eleitores dos dois oposicionistas no 1.° turno não votarão no grupo Sarney de maneira alguma. Quem viver verá!


Notas noturnas

Farra no SUS

O Ministério Público Estadual parece um urso hibernando. Não sei por que o MPE não se mobiliza para acabar com essa farra promovida por Ricardo Murad e empresas privadas (laboratórios, empresa de administração, etc) com os recursos do SUS no Maranhão.


Enganando quem?

Esta história do governo pagar as contas de energia e de água do baixo consumo é uma balela, não passa de esmola. O que o maranhense quer mesmo é que a tarifa de energia cobrada pela Cemar deixe de ser o dobro da cobrada em Brasília, em São Paulo e no Amapá. Basta de enganação; Zuleido Veras, da Gautama, e a OAS receberam 300 milhões de reais em 2000 para duplicar o Sistema Italuís e tomaram Doril. Veras ressurgiu em 2006 na campanha eleitoral doando dinheiro para a campanha de Roseana Sarney.

Pouca vergonha

Até quando a Caema vai continuar infernizando a vida dos moradores de São Luís. A prefeitura coloca asfalto e poucos dias ou horas depois vem a Caema e abre um buraco no asfalto novo. Isso é coisa de moleque!!!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Um bom 2010 para todos

Quero pedir desculpas aos leitores do blog, mas uma combinação infeliz de problemas no meu computador, com questões de saúde e um pequeno período de descanso que eu mesmo me impus, resultou no meu afastamento do blog desde o dia 15 de dezembro.

Amanhã retornarei com algumas postagens e só entrarei em ritmo normal a partir de 2010, na semana que vem.

A todos os meus leitores um grande abraço e votos que 2010 seja uma ano repleto de saúde, paz, tranqüilidade, alegria, espírito de solidariedade e que o Brasil e o Maranhão reencontrem seu tortuoso caminho de desenvolvimento social e econômico, com muito senso de justiça e fortalecimento democrático.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O povo maranhense não quer migalhas

Esse novo projeto da governadora biônica do Maranhão, chamado de “Minha gente” não resiste a uma séria avaliação de seus objetivos.

Se for analisado junto com outras medidas tomadas por Roseana Sarney & Ricardo Murad então, fica transparente o tripé que sustenta este desgoverno: populismo, beneficiamento de empresas privadas e circo para o povão.

Para iniciar eu gostaria de perguntar ao leitor do blog: o que vocês acham que o povo maranhense prefere: ter a sua conta de energia até 50 kWh paga pelo governo estadual ou pagar a tarifa de energia mais barata do Brasil, como a cobrada no Amapá?

O povo do Maranhão paga hoje a segunda tarifa de energia residencial mais cara do Brasil e o Ministro de Minas e Energia, que é maranhense, é político, foi governador do Estado e quer seguir na carreira política, Édison Lobão, nada fez e nem vai fazer para mudar esta injusta situação.

Até parece que ele é ministro apenas para proteger os grandes interesses financeiros do megaempresário Fernando Sarney, manda chuva do setor elétrico brasileiro, com interesses inclusive na Cemar.

A segunda pergunta: o governo vai pagar a conta de água para quem consome até 15 metros cúbicos por mês. O que o povo maranhense prefere: ter a conta até 15 metros cúbicos/mês paga por Roseana ou que o Estado resolva de vez a questão da ampliação do sistema Italuís e a realização de reparos em toda a rede distribuidora?

No ano de 2000, o sexto da primeira administração dos sete anos e três meses de Roseana, a União liberou R$ 300 milhões para ampliar o sistema Italuís. R$ 150 milhões foram entregues para a empresa Gautama, do empresário Zuleido Veras, e os outros R$ 150 milhões foram repassados para a empresa baiana OAS, do sogro do senador Antônio Carlos Magalhães, amigo e aliado histórico da família Sarney.

A obra não foi feita, o dinheiro sumiu e em 2006 uma pequena parte dele voltou ao Maranhão na forma de doação de Zuleido Veras à campanha eleitoral de Roseana.

Não precisa nem dizer que a situação de falta de água, principalmente na capital ficou crônica com o estabelecimento de um revezamento irregular de água para os bairros, que nem sempre funciona a contento.

Logo depois que a governadora biônica assumiu o mandato através do voto autocrático de quatro ministros do TSE, que cassaram os votos de quase 1.400.000 eleitores maranhense, ela e seu tresloucado secretário de Saúde, afirmaram que a situação de falta de água persistia por causa de más administrações na Caema nos governos de José Reinaldo Tavares e de Jackson Lago.

Sobre os R$ 300 milhões entregues à OAS e à Gautama, nem um pio sequer. Tentaram passar uma borracha no passado!

E depois veio a novidade: Ricardo Murad anunciou outro convênio com a União no valor de R$ 255 milhões para ampliar novamente o sistema Italuís.

Em 2000 a Gautama e a OAS levaram R$ 300 milhões, resta saber agora como esses R$ 255 milhões irão para o ralo?

Roseana anunciou também a volta do programa 1.° Emprego. A proposta em si é muito boa, mas na primeira experiência os estagiários ficavam de três a seis meses trabalhando e depois eram dispensados. Muitas vezes novos estagiários do 1.° emprego era chamados e muitos não ficavam nos empregos por falta de qualificação profissional.

A volta do programa com investimento do estado na formação profissional dos jovens era o caminho mais correto para sanar os problemas da experiência anterior.

Mas o que fez de concreto Roseana Sarney?

Ela encaminhou recentemente sua proposta orçamentária de 2010 para a A. L. e cortou nada mais, nada menos do que 86,4% da função trabalho em relação ao orçamento enviado por Jackson Lago em 2009.

Em 2008 Jackson enviou um orçamento para a A. L. que foi aprovado. Ele destinou R$ 52,9 milhões, 1,33% do orçamento total do Maranhão para a pasta do Trabalho.

Passou-se um ano, Jackson foi cassado e Roseana assumiu seu mandato biônico com o seguinte lema: “Maranhão, de volta ao trabalho”.

Para comemorar sua volta, qualificar a juventude para o programa 1.° emprego e para a refinaria que está chegando, ela destinou R$ 7,2 milhões para a secretária do Trabalho chefiada pelo petista-sarneysista José Antônio Heluy.

E ela tem a cara de pau de dizer que vai qualificar nossa juventude cortando 86,4% do orçamento de Jackson Lago para 2009!

A mesma coisa aconteceu com a pasta de Ciência e Tecnologia, ocupada hoje pelo deputado federal Waldir Maranhão, mais conhecido como “Waldir, o Breve”.

Sua secretária na gestão do professor Othon Bastos teve uma dotação de R$ 21,4 milhões no orçamento de 2009. Já Maranhão, que substituiu Bastos em abril passado, viu sua dotação para 2010 diminuir para R$ 19,7 milhões, numa perda de R$ 1,7 milhão ou menos 7,94%.

Até a superpasta da Educação que em 2008 teve uma dotação de R$ 1, 348 bilhão chegando quase aos sonhados 25% de dotação (chegou a 24,38%), perdeu a bagatela de R$ 210 milhões no orçamento enviado pó Roseana a A. L.
Percentualmente a perda foi pequena (1,44%), pois retrocedeu de 24,38% para 22,94%.

Agora fica uma terceira e definitiva pergunta; se as pastas do Trabalho, Ciência e Tecnologia e Educação perderam juntas cerca de R$ 257 milhões para onde foi esse dinheiro se a receita prevista para 2010, aumentou em 15% em relação ao orçamento enviado por Lago em 2009?

É muito fácil de responder, pois as pastas de Saúde e de Comunicação aumentaram muito as suas participações no orçamento de 2010.

Só para ser ter uma idéia dos desatinos praticados por Roseana que seqüestrou dinheiro deixado por Jackson Lago através de convênios assinados com dezenas e dezenas de municípios, vou elencar a seguir alguns cortes abruptos feitos por Roseana;

1- Cortou todo o dinheiro conveniado por Jackson com o município de São Luís que garantiria ao prefeito João Castelo realizar obras vitais (viadutos, pontes, túneis, asfaltamento de ruas nos bairros, alongamento de avenidas, construção de novas avenidas e aumento do número de terminais de integração na cidade) para melhorar o trânsito caótico da capital;

2- Cortou toda a verba para a construção do Hospital de Urgência e Emergência em Pinheiro, nos moldes do Socorrão de Presidente Dutra, construído e inaugurado por Jackson Lago, que atenderia a mais de 40 municípios da baixada maranhense;

3- Corte linear no repasse das verbas do SUS para municípios pólos das regiões do Estado, utilizando critérios políticos para decidir quem ficava com a verba e quem teria a verba diminuída. Este corte causou o fim da prestação de muitos serviços públicos de saúde de qualidade, como no caso de Porto Franco; e

4- Corte da verba repassada para o consórcio de municípios da baixada que iria fazer um trabalho de recuperação de armazenagem e represamento de água e para criatório de peixes na baixada, que beneficiaria dezenas de municípios.

Outras prioridades foram selecionadas nas áreas de saúde:

1 – Construção de 64 novos hospitais em menos de um ano para garantir o investimento de cerca de R$ 350 milhões em obras que serão feitas por empreiteiras sem qualquer tipo de licitação e escolhidas a dedo pelo próprio Ricardo Murad. A construção de novos elefantes brancos é combatida frontalmente pelas maiores e mais importantes lideranças da área de saúde pública do Brasil;

2 – Terceirização dos serviços laboratoriais do Estado desde a coleta de material até a realização de exames pelos laboratórios privados da cidade, como o próprio Inlab que tem como um de seus sócios o médico Fernando Silva, amigo íntimo de Ricardo Murad e secretário-adjunto da saúde;

3 – Contratações de empresas privadas para administrar hospitais públicos como a Cruz Vermelha do Brasil e o ICN - Instituto de Cidadania e Natureza; e

4 - Celebração de contrato com empresa que aluga aviões e helicópteros com a desculpa esfarrapada de transportar doentes e fiscalizar o andamento da construção de 64 novos hospitais. Vamos ficar de olho desde agora como o deputado Ricardo Murad vai se deslocar pelo Maranhão na campanha eleitoral de 2010, depois de se descompatibilizar do cargo de secretário de Saúde em abril do ano que vem

A queda da qualidade na prestação de serviços na área de saúde pública devido à combinação de todas essas medidas desastradas era inevitável.

Funcionários da Maternidade Marli Sarney, no bairro da COHAB, em São Luís, foram demitidos depois que a Cruz Vermelha do Brasil assumiu a administração daquela maternidade.

Remédios caros e de uso contínuo para portadores de doenças graves e degenerativas não estão sendo mais entregues.

No Maranhão existem mais de mil doentes renais crônicos que necessitam tomar um remédio chamado Renagel para controlar os níveis de fósforo no sangue. O remédio não é vendido em farmácias comerciais e é repassado gratuitamente para os doentes renais crônicos.

É um remédio caro custeado por dinheiro da União, dos estados e dos municípios. Segundo soube o remédio não é distribuído há mais de três meses por falta de repasse da participação financeira do estado do Maranhão.

Dinheiro para construir 64 novos hospitais desnecessários; para terceirizar serviço laboratorial privado de amigos e liquidar o serviço público laboratorial; para contratar empresas privadas para administrar hospitais públicos; e para alugar aviões e helicópteros tem de sobra.

Para distribuir remédios essenciais para doentes da próstata, portadores de tumores, problemas estomacais graves, para cardiopatas, doentes renais crônicos e para pessoas transplantadas que correm perigo real e imediato de seus novos órgãos serem rejeitados, não existem verbas disponíveis.

Essas são as prioridades de Ricardo Murad.

Outro setor que viu sua participação no orçamento do Maranhão crescer assustadoramente em 2010 foi a da pasta de Comunicação.

Ontem a noite mesmo quando fazia este texto e assistia a TV Mirante ao mesmo tempo, percebi que a emissora pertencente aos três irmãos Sarney (Roseana, Fernando e Zequinha) veiculou pelo menos oito vezes um anúncio publicitário do governo do estado sobre o programa Minha Gente (Conta paga de luz e de água, programa 1.° emprego e ajuda na construção e reforma da casa própria).

No horário nobre da TV Globo, oito comerciais de 30 segundos veiculados durante o Jornal Local, novela das sete, Jornal Nacional, novela das oito, Casseta e Planeta e na mini série “Cinquentinha”, não deve sair por menos R$ 20 a 30 mil por dia.

O interessante é que em outro aparelho de TV estava acompanhando a programação da Bandeirantes, Record e SBT e em nenhuma das redes o mesmo anúncio do governo estadual foi veiculado.

Ainda vou fazer o levantamento exato do que já foi pago ao Sistema Mirante desde abril passado, mas logo que tiver a quantia certa, divulgarei neste espaço.

Integrantes das pastorias da Igreja Católica da Paraíba criticam visita dos bispos ao governador Maranhão

Membros ligados à Igreja Católica da Paraíba, que atuam nas pastorais sociais mnantidas por aquele igreja, escreveram uma carta criticando a visita que bispos daquele estado fizeram ao governador biônico da Paraiba, José Maranhão, que se encontra em plena campanha eleitoral para se reeleger em 2010.

Veja a seguir a carta:

"João Pessoa, 14 de dezembro de 2009
 
Prezados Srs. Bispos da Igreja Católica Romana da Paraíba,
 
           Foi amplamente divulgada pelos meios de comunicação do Estado seu encontro com o Governador José Maranhão – inclusive com emblemática foto (na qual aparece, ao centro, o Governador, ladeado pelos Srs.).
         Pela declaração prestada, em entrevista, por Dom Aldo Pagotto, falando em nome dos Srs., tratava-se de uma “visita de cortesia”, na qual foram abordados temas como parceria entre Igreja e Estado, turismo religioso, transposição das águas do Rio São Francisco.
         Não bastasse o estranhamento da iniciativa - justo num contexto de efervescência pré-eleitoral - os pontos de pauta divulgados não parecem expressar um consenso, nem no âmbito da sociedade civil organizada, nem ao interno da própria Igreja Católica.
         Diante desse fato, resolvemos como cidadãos e cidadãs e como cristãos e cristãs dirigirem-lhes respeitosamente algumas ponderações, em forma de perguntas:
  - Fazer visitas é um belo hábito entre os humanos, inclusive entre os cristãos – sobretudo quando realizadas sob o manto da gratuidade e desprovidas de interesse. No caso em apreço, aliás, não se tratou de encontro de apenas um dos Senhores com o Governador. Foi um encontro ou uma”visita de cortesia” coletiva feita ao Governador pelos bispos da Província da Paraíba. Tendo em vista o lugar privilegiado que os pequenos (e não os poderosos!) sempre ocuparam na agenda missionária de Jesus (“O Espírito está sobre mim... – Lc 4, 16-19”, “Eu Te bendigo, ó Pai, porque revelaste essas coisas aos simples e pequeninos... – Lc 10, 21), ocorre-nos indagar-lhes se esse tipo de encontro ou visita também se tem feito coletivamente pelos Srs. Bispos da Paraíba aos assentamentos rurais, às comunidades indígenas, às comunidades quilombolas, às prisões, em breve, às ovelhas desgarradas da Casa de Israel? Ou não é essa a atitude que devemos esperar de pastores, a exemplo de Jesus, que vivia como pobre no meio dos pobres, e tão pouco dado a encontros ou visitas aos poderosos do seu tempo?
  - Com relação aos pontos tratados, também temos algo a ponderar. Um deles foi o Projeto de Transposição das águas do São Francisco. Não é um tema em torno do qual haja um amplo consenso entre as bases da sociedade civil, nem mesmo dentro da Igreja, haja vista a resistência firme oposta aos projetos faraônicos, não de hoje, pelas comunidades indígenas, quilombolas, de pescadores, da CPT, dos atingidos por barragens, entre outros, sem falar em figuras do próprio episcopado com discordância aberta sobre o mesmo Projeto. Os Srs. acham, em sã consciência, que este ponto de pauta merece ser tratado desse modo por quem tem o ofício de pastores, precisamente numa conjuntura tão conturbada, inclusive eleitoralmente, em que o próprio Governador é anunciado como candidato? Estando os Srs. de acordo com o tal Projeto, dadas as resistências de parte significativa do seu próprio rebanho e até de outros irmãos pastores, por que não deixar o enfrentamento mais direto a cargo das forças populares e dos leigos e leigas, em vez de tomar a frente, num caso que deve ser protagonizado por leigos e leigas? Ao assim procederem, os Srs. não perdem força ética, ao cobrarem dos seus padres que não façam política partidária?
 
- Quanto ao desenvolvimento do turismo religioso, tendo em vista que uma coisa é ser administrador ou gestor de uma instituição, e outra bem diferente é o ofício de pastor, indagamos aos Srs. se lutar por turismo religioso é mesmo uma prioridade de agenda de pastores seguidores do Evangelho? Sem falar na cobrança de isonomia (devida pelo Governo), feita, a justo título, por membros de outras igrejas e expressões religiosas da Paraíba, tal gesto não ecoa como uma busca de tratamento privilegiado, na distribuição dos recursos PÚBLICOS? E sem esquecer, ainda, que nem todos os católicos estão de acordo com a participação de seus bispos nesse tipo de “parceria”, já que evoca vestígios de uma associação espúria de triste memória: a famigerada aliança entre o poder temporal e o poder eclesiástico, aliás, evocado, em outros termos, na declaração de Dom Aldo?
 
         Estamos em tempo de Advento, em que ressoa forte a voz dos profetas, chamando-nos à conversão. De que modo um episódio como esse, protagonizado pelos Srs., ajuda-nos no processo de conversão, na perspectiva do Seguimento de Jesus? Tomara que a reconsideração de fatos como esse nos faça, a todos, mais abertos e solícitos ao que o Espírito tem a dizer à nossa Igreja, aos nossos pastores e a cada um, cada uma de nós.
 
Fraternalmente,
 
  Alder Júlio Ferreira Calado;  Rolando Lazarte; Luiz Gonzaga Gonçalves;
João da Cruz Fragoso; Flávio Rocha; Antônio Alberto Pereira;
Renato Lanfranchi; Valdênia A. Paulino Lanfranchi;
 Elias Cândido do Nascimento; Maria Angelina de Oliveira;
 Eugênio Costa Mimoso; José Hailton Bezerra Lyra;
  Luciano Batista Bezerra Souza;
  Ulisses Willy Rocha de Moura, Secretário do CEBI (Regional Nordeste);
 Romero Venâncio Júnior; Ricardo Brindeiro; Magdala Cavalcanti Melo;
Guy Maurice Norel; José Jonas Duarte Costa; Solemar Sena;
Luciana E F. C. Deplagne; Eliana A. de F. Calado;
Germana Alves Menezes; Ir. Ana Célia Silva Menezes;
Emanuelson Matias de Lima; e Gleyson Ricardo."