Deu no blog de Augusto Nunes, da revista Verja.
Os leitores da coluna convivem há meses com a refinada ironia de Celso Arnaldo.
Hoje, quem ainda não a conhece será apresentado à indignação do jornalista Celso
Arnaldo Araújo. Perplexo com a matança de crianças maranhenses, resultante da
falta de leitos na capitania hereditária da famiglia Sarney, ele conta neste
post a saga das Isabellas sem-imprensa:
Acompanho, com horror e nojo, a cobertura de mais uma tragédia maranhense: a
morte em série de crianças, inclusive recém-nascidas, por falta de leitos de UTI
no estado.
A Folha deste domingo registra a 16ª morte do ano ─ a vítima é Mayara
Francelino, 8, que agonizava há nove dias, em leito comum, numa sala abafada e
imunda, com meningite, à espera de uma vaga em unidade de terapia intensiva em
sua cidade, Imperatriz.
Nem uma liminar obtida na Justiça, obrigando o governo maranhense a lhe oferecer
UTI, mesmo que fosse em clínica particular, conseguiu materializar a tempo o
tratamento que talvez lhe desse alguma chance de sobrevivência. A UTI só
apareceu quando era tarde demais.
Mayara é a vítima de número 16 de mais essa incúria do governo instalado no
Palácio dos Leões, em São Luís, que há mais de 40 anos abriga, com fausto, pompa
e riqueza progressiva, uma família de hienas que se refestelam na carniça de seu
povo.
O estado tem o pior índice de IDH do país, a pior educação e o pior
sistema de saúde, entre outros superlativos do mal.
No ano passado, 43 outras crianças morreram no Maranhão nas mesmas
circunstâncias.
O mesmo governo que sonega a essas crianças, ainda no útero das
mães, condições sociais mínimas de nutrição e bem-estar, mata-as assim que vêm
ao mundo, ou um pouco mais tarde, porque devem ter faltado pelo menos 13 milhões
de dólares para a instalação dos necessários leitos de UTI infantil, a fim de
atender às vítimas da contaminação pela miséria e pelo descaso, que resultam em
baixo peso ao nascer, desnutrição, infecções oportunistas.
Ouso afirmar que os 13 milhões de dólares de Fernando Sarney que tomavam sol nas
Bahamas têm a ver com as mortes dessas crianças. E que essa tragédia está
intimamente relacionada à atuação dos Sarneys, que há 40 anos sugam e desgraçam
o Maranhão.
Leio os jornais com horror, nojo e uma ponta de sentimento de culpa: enquanto
perco tempo e verve analisando as crônicas mambembes do patriarca dessa família
infame, relevo o fato de que ser o pior escritor do mundo é o mais leve de seus
delitos.
Teria José Sarney a decência e a coragem de assinar um texto sobre Mayara ─ como
se arvorou em fazer, numa crônica da Folha, a respeito de uma menina haitiana
que ele identificou como MJ, amputada a sangue frio num hospital de campana
improvisado em Porto Príncipe?
A inicial é a mesma. E há outra coincidência: MJ foi vítima de uma catástrofe
natural; a pequena Mayara, também ─ a perpetuação do governo Sarney no Maranhão
é uma catástrofe natural, e muito mais mortal, porque acumula danos há mais de
40 anos, instabilizando, pela miséria eterna, os níveis subterrâneos do terreno
social do estado.
O governo Sarney não socorreu Mayara a tempo ─ nem com ordem judicial. Mas era
uma ordem difícil mesmo de cumprir: não há leitos suficientes no estado, nem à
força.
Com o cinismo que é de família, a governadora, só depois da morte de Mayara e de
outras 58 crianças Sem-UTI, designou 5 milhões de reais para a criação de um
punhado de leitos no hospital onde agonizou a menina - o Hospital Municipal
Infantil de Imperatriz, conhecido, à propos, como Socorrinho.
Noves fora os 20 ou 30% dessa verba que vão morrer no caminho, sem passar pela
futura UTI, até diretores do Socorrinho acham que a coisa vai continuar como
está e novas Mayaras morrerão: para abrigar uma unidade da terapia intensiva, o
hospital precisaria rever radicalmente seus padrões de higiene, que estão abaixo
dos da tenda onde MJ foi amputada.
Por força de hábito, mas me sentindo a pior das criaturas, passei os olhos pela
crônica de José Sarney na Folha de sexta-feira: ele continua obcecado pelo
avanço da internet, que mal conhece, agora ameaçando a sobrevivência dos jornais
impressos.
No final, depois daqueles raciocínios escabrosamente sem nexo de que só o pior
escritor do mundo é capaz, ele sentencia, bem a seu estilo:
─ Finalmente, como o rádio e a TV não mataram o jornal, a internet não o matará.
Só quem pode matá-lo é ele mesmo, querendo ser internet ou fazendo mau
jornalismo.
Podemos garantir ao cronista que, mesmo que essa previsão não se concretize, e o
jornal impresso vá a encontro de sua morte, as gerações futuras terão acesso,
num hipotético arquivo nacional da vergonha e do escárnio, a um pedaço de papel
embolorado noticiando a morte de Mayara e das demais crianças maranhenses ─ cuja
lembrança, um dia, assombrará também as futuras gerações da família Sarney.
As Isabellas do Maranhão são atiradas para a morte por pais-da-pátria que nem
tentam enxergá-las das janelas dos palácios. Morrem sem barulho. E acabam
esquecidas na vala comum reservada aos que jamais conseguirão aparecer na
primeira página do jornal.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Prata da casa não dará vitória a Roseana
O blog do jornalista Marco D'Eça, no portal Imirante, é uma espécie de porta voz informal da governadora biõnica Roseana Sarney na internet.
Enquanto Décio Sá é o provocador barato do grupo, responsável pelas baixarias e professor de jornelismo marrom do Sistema, D'Eça é mail hábil e diplomatico..
Ontem em seu blog, ele postou um texto onde analisou a situação eleitoral do Maranhão após a definição do PT pela candidatura de Flávio Dino.
O quinto item apresentado por D'Eça é uma verdadeira obra prima. Leiam o tópico a seguir:
"5 – Roseana Sarney tem o mais forte, o mais preparado e o mais competente grupo político do Maranhão. A negativa do PT em se juntar a ela deve ser avaliada como uma oportunidade de ver, dentro de casa, os talentos que ela prefere ignorar. Nem um outro candidato a governador tem tantos quadros capazes de gerir o governo, em todos os setores. A hora de valorizá-los é agora, na pré-campanha."
Parece até piada. Se o grupo de partidos que formam a base aliada do grupo Sarney (PMDB, DEM, PV, PTB, PP, PSC e outras siglas menores) e seus líderes políticos (Roseana, João Alberto, Lobão, Ricardo Murad, Mauro Fecury, Cutrim, Clóvis Fecury, Zéquinha Sarney, Pedro Fernandes, Manoel Ribeiro, Waldir Maranhão, Costa Ferreira, etc e tal) bastassem para reeleger Roseana, ela não teria perdido a eleição em 2006 e nem precisaria da providencial ajuda de ministros do TSE para voltar aos Leões pela porta dos fundos.
A corrida desesperada pelo apoio do PT/MA prova que Roseana sabe que vai perder mais uma eleição no voto direto.
Não importa se o o próximo governador será Jackson Lago ou Flávio Dino. Só não será Roseana, com certeza!
Enquanto Décio Sá é o provocador barato do grupo, responsável pelas baixarias e professor de jornelismo marrom do Sistema, D'Eça é mail hábil e diplomatico..
Ontem em seu blog, ele postou um texto onde analisou a situação eleitoral do Maranhão após a definição do PT pela candidatura de Flávio Dino.
O quinto item apresentado por D'Eça é uma verdadeira obra prima. Leiam o tópico a seguir:
"5 – Roseana Sarney tem o mais forte, o mais preparado e o mais competente grupo político do Maranhão. A negativa do PT em se juntar a ela deve ser avaliada como uma oportunidade de ver, dentro de casa, os talentos que ela prefere ignorar. Nem um outro candidato a governador tem tantos quadros capazes de gerir o governo, em todos os setores. A hora de valorizá-los é agora, na pré-campanha."
Parece até piada. Se o grupo de partidos que formam a base aliada do grupo Sarney (PMDB, DEM, PV, PTB, PP, PSC e outras siglas menores) e seus líderes políticos (Roseana, João Alberto, Lobão, Ricardo Murad, Mauro Fecury, Cutrim, Clóvis Fecury, Zéquinha Sarney, Pedro Fernandes, Manoel Ribeiro, Waldir Maranhão, Costa Ferreira, etc e tal) bastassem para reeleger Roseana, ela não teria perdido a eleição em 2006 e nem precisaria da providencial ajuda de ministros do TSE para voltar aos Leões pela porta dos fundos.
A corrida desesperada pelo apoio do PT/MA prova que Roseana sabe que vai perder mais uma eleição no voto direto.
Não importa se o o próximo governador será Jackson Lago ou Flávio Dino. Só não será Roseana, com certeza!
sábado, 27 de março de 2010
Por 87 votos a 85 PT/MA resolve apoiar Flávio Dino
O encontro estadual do PT maranhense decidiu apoiar a candidatura do deputado federal Flávio Dino, PC do B, por 87 votos a 85 votos e uma abstenção.
A votação foi aberta com cada delegado falando em voz alta seu voto. Chegaram duas versões ao blog: uma de que a tese contra a coligação do PT com o PMDB de Roseana Sarney teria vencido pela diferença de dois votos e uma segunda versão de que a diferença foi de apenas um voto.
Se a votação foi 87 a 85 e uma abstenção, a soma deu 173 votos, significando que dois delegados não compareceram ao encontro.
Dos 175 delegados escolhidos para o encontro do PT, 81 eram dos grupos políticos do deputado federal Domingos Dutra, de Augusto Lobato e de Bira de Pindaré; 80 eram dos grupos de Washington Oliveira e Raimundo Monteiro, de José Antônio Heluy, de Edmilson Carneiro e de Fransuila; e 14 ligados ao grupo de Rodrigo Comerciário.
Como a junção dos grupos de Washington e de Rodrigo somava 95 votos e a tese pró-Roseana só obteve 85 votos, significa dizer que dez delegados preferiram seguir suas consciências e votaram de forma independemnte.
Na hipótese dos dois delegados que faltaram e do delegado que se absteve serem do grupo pró-Roseana, sete delegados votaram contra a tese defendida por Washington Oliveira.
Uma fonte ligada ao PT identificou para o blog quatro delegados do grupo de Washington que votaram na formação de uma coligação popular e democrática com o PC do B e o PSB. São eles o advogado Márcio Embles, ex-assessor da deputada Helena Heluy; o vereador Bilu, de Santa Luzia; Fabão, de São Francisco do Brejão; e Valdinar, vereador de Satubinha.
No final do encontro o grupo político de Washington Oliveira tentou promover uma recontagem dos votos e a confusão tomou conta do encontro do PT.
Logo depois foi confirmada a vitória de tese de apoio à candidatura do deputado Flávio Dino por 87 votos contra 85 votos e uma abstenção. Não foi feita a recontagem porque a votação, como já informei, foi aberta com cada delegado declarando seu voto.
Com a vitória da tese de apoio à formação de uma frente popular e democrática de esquerda confirmada, assistimos à derrota do rolo compressor de Roseana e da direção nacional do PT que mandou seu presidente, José Eduardo Dutra ao Maranhão para se reunir com Roseana e pressionar os delegados petistas.
Para atrair o apoio do PT, o grupo Sarney ofereceu a vaga de vice-governador na montagem da chapa majoritária e três secretarias de Estado de uma lista de seis pastas, inclusive a Secretária de Educação.
A derrota de Roseana e de Washington aponta para a possibilidade concreta da realização de um segundo turno das eleições para governador do Maranhão. Com dois candidatos fortes ao Palácio dos Leões, Jackson Lago e Flávio Dino, Roseana dificilmente conseguirá vencer no 1.° turno.
A votação foi aberta com cada delegado falando em voz alta seu voto. Chegaram duas versões ao blog: uma de que a tese contra a coligação do PT com o PMDB de Roseana Sarney teria vencido pela diferença de dois votos e uma segunda versão de que a diferença foi de apenas um voto.
Se a votação foi 87 a 85 e uma abstenção, a soma deu 173 votos, significando que dois delegados não compareceram ao encontro.
Dos 175 delegados escolhidos para o encontro do PT, 81 eram dos grupos políticos do deputado federal Domingos Dutra, de Augusto Lobato e de Bira de Pindaré; 80 eram dos grupos de Washington Oliveira e Raimundo Monteiro, de José Antônio Heluy, de Edmilson Carneiro e de Fransuila; e 14 ligados ao grupo de Rodrigo Comerciário.
Como a junção dos grupos de Washington e de Rodrigo somava 95 votos e a tese pró-Roseana só obteve 85 votos, significa dizer que dez delegados preferiram seguir suas consciências e votaram de forma independemnte.
Na hipótese dos dois delegados que faltaram e do delegado que se absteve serem do grupo pró-Roseana, sete delegados votaram contra a tese defendida por Washington Oliveira.
Uma fonte ligada ao PT identificou para o blog quatro delegados do grupo de Washington que votaram na formação de uma coligação popular e democrática com o PC do B e o PSB. São eles o advogado Márcio Embles, ex-assessor da deputada Helena Heluy; o vereador Bilu, de Santa Luzia; Fabão, de São Francisco do Brejão; e Valdinar, vereador de Satubinha.
No final do encontro o grupo político de Washington Oliveira tentou promover uma recontagem dos votos e a confusão tomou conta do encontro do PT.
Logo depois foi confirmada a vitória de tese de apoio à candidatura do deputado Flávio Dino por 87 votos contra 85 votos e uma abstenção. Não foi feita a recontagem porque a votação, como já informei, foi aberta com cada delegado declarando seu voto.
Com a vitória da tese de apoio à formação de uma frente popular e democrática de esquerda confirmada, assistimos à derrota do rolo compressor de Roseana e da direção nacional do PT que mandou seu presidente, José Eduardo Dutra ao Maranhão para se reunir com Roseana e pressionar os delegados petistas.
Para atrair o apoio do PT, o grupo Sarney ofereceu a vaga de vice-governador na montagem da chapa majoritária e três secretarias de Estado de uma lista de seis pastas, inclusive a Secretária de Educação.
A derrota de Roseana e de Washington aponta para a possibilidade concreta da realização de um segundo turno das eleições para governador do Maranhão. Com dois candidatos fortes ao Palácio dos Leões, Jackson Lago e Flávio Dino, Roseana dificilmente conseguirá vencer no 1.° turno.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Resposta de Reinaldo Azevedo a Sarney Filho
Depois que recebeu a resposta do deputado Sarney Filho, o jornalista Reinaldo Azevedo, da Veja On Libe, postou em seu blog a seguinte resposta ao depuardo:
Epa! Devagar, deputado!
Compreendo que o senhor não queira, especialmente depois de ontem, entrar “no mérito” de minhas referências sobre a sua família. Há 13 milhões de motivos depositados na Suíça para isso, não é mesmo?
Não concordo com a sua leitura do Código Florestal. Acho desinformada e preconceituosa. Se o senhor quer criar a lista de “exterminadores do futuro”, então eu vou incluí-lo na lista dos “promotores da fome”. Sei que isso pode não ser estranho à gente sofrida do Maranhão profundo, se é o caso de falar em barbárie.
“Setores atrasados do agronegócio?” E é o senhor que vem reclamar de “preconceito”?
Quanto a seu sobrenome, huuummm… É certamente um exagero o senhor se comparar a um judeu perseguido na Alemanha nazista. No Maranhão, os Sarneys estão, metaforicamente falando, é claro, mais para quem manda prender do que para quem é preso. Quanto aos romanos, lembro que o senhor jamais sofreria as conseqüências das dívidas da família. No máximo, pode ser beneficiado pelo patrimônio. O senhor não tem culpa, é claro.
Então, se o nome lhe pesa, parafraseio Julieta num de seus momentos intensos com Romeu:
“Zequinha, Zequinha, por que és Zequinha? Renega o pai, despoja-te do nome”!
Viu só como sou, deputado? É falar em Sarney, e eu logo respondo com Shakespeare.
Epa! Devagar, deputado!
Compreendo que o senhor não queira, especialmente depois de ontem, entrar “no mérito” de minhas referências sobre a sua família. Há 13 milhões de motivos depositados na Suíça para isso, não é mesmo?
Não concordo com a sua leitura do Código Florestal. Acho desinformada e preconceituosa. Se o senhor quer criar a lista de “exterminadores do futuro”, então eu vou incluí-lo na lista dos “promotores da fome”. Sei que isso pode não ser estranho à gente sofrida do Maranhão profundo, se é o caso de falar em barbárie.
“Setores atrasados do agronegócio?” E é o senhor que vem reclamar de “preconceito”?
Quanto a seu sobrenome, huuummm… É certamente um exagero o senhor se comparar a um judeu perseguido na Alemanha nazista. No Maranhão, os Sarneys estão, metaforicamente falando, é claro, mais para quem manda prender do que para quem é preso. Quanto aos romanos, lembro que o senhor jamais sofreria as conseqüências das dívidas da família. No máximo, pode ser beneficiado pelo patrimônio. O senhor não tem culpa, é claro.
Então, se o nome lhe pesa, parafraseio Julieta num de seus momentos intensos com Romeu:
“Zequinha, Zequinha, por que és Zequinha? Renega o pai, despoja-te do nome”!
Viu só como sou, deputado? É falar em Sarney, e eu logo respondo com Shakespeare.
Sarney Filho responde a Reinaldo Azevedo
sexta-feira, 26 de março de 2010 | 16:05
Recebo do deputado Sarney Filho (PV-MA) a nota que segue. Faço considerações em seguida:
Ao jornalista Reinaldo Azevedo
À propósito de nota publicada em seu blog em 18 de março, sem entrar no mérito de suas referências à minha família, lamento que no momento em que enfrentamos talvez a mais difícil batalha contra setores atrasados do agronegócio que pressionam para desfigurar o Código Florestal, abrindo brechas para novos desmatamentos, inclusive de matas ciliares você, com a responsabilidade de formador de opinião, tenha preferido embarcar no discurso de alguns parlamentares sem compromisso com a sustentabilidade.
Causa-me também perplexidade a tentativa leviana de denegrir a minha luta de mais de 20 anos em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida - como cidadão, ex-ministro do Meio Ambiente e como parlamentar- e de desqualificar o papel da sociedade civil nessa missão.
Julgar alguém pelo sobrenome nos remete ao direito romano, no qual as famílias eram escravizadas pelas dívidas dos pais.
Na Alemanha nazista, o sobrenome era motivo de prisão e morte. Graças a Deus, a civilização avançou, embora alguns ainda continuem na barbárie.
Sarney Filho
Recebo do deputado Sarney Filho (PV-MA) a nota que segue. Faço considerações em seguida:
Ao jornalista Reinaldo Azevedo
À propósito de nota publicada em seu blog em 18 de março, sem entrar no mérito de suas referências à minha família, lamento que no momento em que enfrentamos talvez a mais difícil batalha contra setores atrasados do agronegócio que pressionam para desfigurar o Código Florestal, abrindo brechas para novos desmatamentos, inclusive de matas ciliares você, com a responsabilidade de formador de opinião, tenha preferido embarcar no discurso de alguns parlamentares sem compromisso com a sustentabilidade.
Causa-me também perplexidade a tentativa leviana de denegrir a minha luta de mais de 20 anos em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida - como cidadão, ex-ministro do Meio Ambiente e como parlamentar- e de desqualificar o papel da sociedade civil nessa missão.
Julgar alguém pelo sobrenome nos remete ao direito romano, no qual as famílias eram escravizadas pelas dívidas dos pais.
Na Alemanha nazista, o sobrenome era motivo de prisão e morte. Graças a Deus, a civilização avançou, embora alguns ainda continuem na barbárie.
Sarney Filho
O desepero bateu à porta de Roseana
A situação do grupo Sarney no Maranhão deve estar muito difícil. Como tanto Antônio Melo como Duda Mendonça, marqueteiros contratados a peso de ouro para a campanha eleitoral deste ano, só trabalham com base em pesquisas, a avaliação é que a coisa pegou para o sarneysismo.
Acossado por inúmeras denúncias seguidas e pelo natural desgaste de anos de dominação que transformou o Maranhão em uma espécie de Haiti do Brasil, Roseana vê no PT estadual como uma tábua de salvação de seus interesses financeiros e políticos.
Daí o desespero da governadora biônica atingir alturas inacreditáveis a ponto de ela oferecer aos petistas o cargo de vice-governador na chapa majoritária e a tão cobiçada Secretaria de Educação.
A contra partida petista seria apoiar a candidatura do “camarada João Alberto Tigre de Sousa” para o Senado Federal.
Como se vê o jogou ficou pesado a pontos de dois dirigentes nacionais do PT estarem em São Luís para pressionar os delegados petistas a aceitarem o acordo com Roseana.
O PT amanhã vai decidir seu destino: capitulação à oligarquia mais atrasada, reacionária e retrógada do Brasil ou continuar na estrada do movimento popular e da luta pela justiça e democracia no Maranhão.
Acossado por inúmeras denúncias seguidas e pelo natural desgaste de anos de dominação que transformou o Maranhão em uma espécie de Haiti do Brasil, Roseana vê no PT estadual como uma tábua de salvação de seus interesses financeiros e políticos.
Daí o desespero da governadora biônica atingir alturas inacreditáveis a ponto de ela oferecer aos petistas o cargo de vice-governador na chapa majoritária e a tão cobiçada Secretaria de Educação.
A contra partida petista seria apoiar a candidatura do “camarada João Alberto Tigre de Sousa” para o Senado Federal.
Como se vê o jogou ficou pesado a pontos de dois dirigentes nacionais do PT estarem em São Luís para pressionar os delegados petistas a aceitarem o acordo com Roseana.
O PT amanhã vai decidir seu destino: capitulação à oligarquia mais atrasada, reacionária e retrógada do Brasil ou continuar na estrada do movimento popular e da luta pela justiça e democracia no Maranhão.
Deu na Veja on line
O blog republica a seguir texto do jornalista Reinaldo Azevedo que fala do "amor" dos Sarney's pelo verde das florestas e o verde dos dólares depositados na Suiça e na China.
OS SARNEYS AMAM O VERDE
quinta-feira, 25 de março de 2010 | 14:51
Pô, é evidente que a “mídia” está perseguindo a família Sarney. A Suíça bloqueou, vejam post com trecho de reportagem da Folha, US$ 13 milhões de uma conta movimentada por Fernando, o primogênito, que tanto lutou para que a Justiça, a brasileira, censurasse uma reportagem do Estadão. A China fez o mesmo com outra conta, esta de US$ 1 milhão.
Como diria Lula, a “mídia” só se interessa pelo lado negativo das coisas. Então verei agora o lado positivo. Que exemplo de empreendedorismo dá essa família. Eu não sei o que os Sarneys produzem exatamente (devem produzir alguma coisa, além de políticos), mas é preciso ser muito competente para ter essa dinheirama toda no exterior — sem contar o patrimônio em solo pátrio —, fruto do árduo trabalho de décadas no estado mais pobre do país.
Lula já disse que “Sarney não é um homem comum”. Não é mesmo! A pobreza do Maranhão, onde a família manda há 50 anos, não afetou, como a gente nota, o tino para os negócios. E a gente percebe que o clã não tem nada de acanhado, de elite localista. Os US$ 14 milhões, até agora ao menos, que estão no exterior provam a vocação globalizante da família.
Em suma, o Maranhão pode ser muito pobre, mas isso nunca intimidou os Sarneys, que são muito ricos. O chefe do clã, ex-presidente da República e atual presidente do Senado, dono de uma parcela significativa do PMDB, não se sente constrangido a investir apenas no Brasil, coisa de gente caipira. A vocação da família é a universalidade, o que já tinha sido comprovado, embora a mídia reacionária nunca tenha admitido, com o livro Marimbondos de Fogo.
E a gente nota que a família investe também na diversificação ideológica. Zequinha Sarney se tornou um “Verde”, não daqueles “verdes” de que Fernando cuida na Suíça, e é bom deixar claro que essa associação é óbvia e de mau gosto.
Os Sarneys se ofereceram para cuidar de gente no Maranhão, e a coisa não deu muito certo, como provam os últimos 50 anos. Pragmático, Zequinha resolveu cuidar de árvores — e agora divulga por aí uma lista de ditos “exterminadores do futuro”, pessoas que não teriam compromisso com o meio ambiente. No Maranhão, os Sarneys já têm um longo passado. A questão é saber se o Estado, em mãos tão hábeis, tem futuro.
É uma família que ama o verde, aqui e lá fora.
OS SARNEYS AMAM O VERDE
quinta-feira, 25 de março de 2010 | 14:51
Pô, é evidente que a “mídia” está perseguindo a família Sarney. A Suíça bloqueou, vejam post com trecho de reportagem da Folha, US$ 13 milhões de uma conta movimentada por Fernando, o primogênito, que tanto lutou para que a Justiça, a brasileira, censurasse uma reportagem do Estadão. A China fez o mesmo com outra conta, esta de US$ 1 milhão.
Como diria Lula, a “mídia” só se interessa pelo lado negativo das coisas. Então verei agora o lado positivo. Que exemplo de empreendedorismo dá essa família. Eu não sei o que os Sarneys produzem exatamente (devem produzir alguma coisa, além de políticos), mas é preciso ser muito competente para ter essa dinheirama toda no exterior — sem contar o patrimônio em solo pátrio —, fruto do árduo trabalho de décadas no estado mais pobre do país.
Lula já disse que “Sarney não é um homem comum”. Não é mesmo! A pobreza do Maranhão, onde a família manda há 50 anos, não afetou, como a gente nota, o tino para os negócios. E a gente percebe que o clã não tem nada de acanhado, de elite localista. Os US$ 14 milhões, até agora ao menos, que estão no exterior provam a vocação globalizante da família.
Em suma, o Maranhão pode ser muito pobre, mas isso nunca intimidou os Sarneys, que são muito ricos. O chefe do clã, ex-presidente da República e atual presidente do Senado, dono de uma parcela significativa do PMDB, não se sente constrangido a investir apenas no Brasil, coisa de gente caipira. A vocação da família é a universalidade, o que já tinha sido comprovado, embora a mídia reacionária nunca tenha admitido, com o livro Marimbondos de Fogo.
E a gente nota que a família investe também na diversificação ideológica. Zequinha Sarney se tornou um “Verde”, não daqueles “verdes” de que Fernando cuida na Suíça, e é bom deixar claro que essa associação é óbvia e de mau gosto.
Os Sarneys se ofereceram para cuidar de gente no Maranhão, e a coisa não deu muito certo, como provam os últimos 50 anos. Pragmático, Zequinha resolveu cuidar de árvores — e agora divulga por aí uma lista de ditos “exterminadores do futuro”, pessoas que não teriam compromisso com o meio ambiente. No Maranhão, os Sarneys já têm um longo passado. A questão é saber se o Estado, em mãos tão hábeis, tem futuro.
É uma família que ama o verde, aqui e lá fora.
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